terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Bendita meia noite!

Tudo acabado. Erros apagados. Pecados perdoados. Ressentimentos esquecidos. Palavras ditas num impulso, já não são lembradas. Lágrimas e perdas se transformam em velhas histórias engraçadas. As derrotas, ou melhor, as não conquistas, ganham uma nova chance. As promessas não cumpridas também. Meia noite. Como num passe de mágica, renascemos para um novo tempo, como se saíssemos de novo da barriga. Meia noite. Ganhamos uma folha de papel em branco pra podermos começar a escrever tudo outra vez. Meia noite. São tantos os desejos, velhos e novos. Meia noite. Ganhamos a redenção. Temos a chance de esquecer os velhos problemas. Mesmo que eles entrem junto com a gente no novo ano, são novos problemas. Uma nova etapa. Tanta esperança! E os planos então?! Ano que vem vou emagrecer. Ano que vem vou fazer uma plástica. Ano que vem vou me matricular na faculdade. Ano que vem vou me formar na faculdade. Ano que vem vou retomar as aulas de inglês. Ano que vem vou concluir o curso de francês. Ano que vem vou fazer aquela viagem. Ano que vem vou voltar pra casa. Ano que vem vou visitar minha família lá na minha terra de origem. Ano que vem vou fazer aquela reforma. Ano que vem vou fazer as pazes com aquela pessoa. Ano que vem vou encontrar um grande amor. Ano que vem vou reconquistar meu grande amor. Ano que vem vou marcar a data do casamento. Ano que vem vou me casar. Ano que vem vou ter um filho. Ano que vem vou ficar mais perto das pessoas que eu amo. Ano que vem vou fazer isso... Ano que vem vou fazer aquilo... Que bom que o ano se decompõe. Que bom que são 12 meses, 365 dias. Que bom que à meia noite do dia 1 de janeiro, um novo ano nasce... e com ele uma nova esperança também! Que bom poder apostar de novo na felicidade! Que bom poder tentar de novo! Que bom poder olhar pra trás... mas que incrível poder abrir os olhos pro futuro, para os próximos 12 meses, 365 dias, com o coração ardendo na certeza de que tudo vai ser diferente... e muito melhor.

FELIZ 2009 a todos e todas!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A Herança

Este foi um daqueles anos que passam como que num piscar de olhos... pelo menos pra mim. Foi um ano temido por ser o último da faculdade. Eu passei maus bocados ano passado, foi um momento bem difícil do curso e eu comecei este ano com muito medo do que viria. Que nada! Foi o mais tranqüilo, eu diria.

Demos conta de tudo, meu Deus, e eu nem posso explicar como. Foram tantas emoções: programas de TV para o Canal Universitário, programas de rádio para a CBN, o Expressão (jornal impresso da Universidade), e, um livro-reportagem. Mas claro, não apenas um livro-reportagem, mas um livro-reportagem sobre Câncer, como não?! O meu grupo não deixaria que as coisas fossem menos complicadas do já que eram... rs!

Tantas responsabilidades! Quanta adrenalina, corre-corre, produção, gravação, apuração, imersão, exercício de escrever, escrever, escrever e... estou formada. Então é assim? Sou jornalista? Eu confesso que já me sentia uma, mas, mesmo sem o diploma e o MTB ainda, é diferente, talvez ao menos um pouco. Hoje eu disse ao casal, donos da casa onde costumo levar roupas para costura, que sou jornalista. Eu já tinha dito isso a outras pessoas, mas por um fragmento de segundo hoje senti algo desconhecido até então.

E é interessante. Entrei na faculdade insegura e, mesmo não tendo a menor idéia do que será da minha carreira agora com a carga de uma profissão na bagagem, eu não consigo me preocupar com o futuro. Como eu costumo dizer, e não pela primeira vez, eu sei bem o que não quero e o que quero, é claro, não vai vir de graça. Mas isso eu também já sei. E que graça teria? Que gosto... se as coisas fossem fáceis, gratuitas?

O fato é que foram quatro anos intensos e diferentes de tudo o que eu já havia vivido. Mais uma etapa da vida em que fui colocada à prova. Confesso que cheguei a pensar que não conseguiria. Eu, no auge de meus 24 aninhos, depois de alguns distante da conclusão do Ensino Médio, entrei pela porta de uma sala de aula em que me deparei com quase 100 jovens recém saídos do colégio, em torno de seus 18, 19 anos talvez. Quanta coisa nos separava. Mas eu sempre fui assim mesmo. Minha eterna mania de subestimar a “experiência” das pessoas mais jovens e superestimar a minha, da “mais velha”. E eu acho que fui eu quem mais aprendeu, mesmo nos momentos em que tive que lidar com minhas próprias limitações diante das dificuldades.

Neste balanço não poderia deixar de falar de duas jóias que encontrei pelo meio, quer dizer, uma no início do caminho e a outra sim, mais a frente.

Thiago. Pensando agora eu acho que não tinha idéia no momento em que trocamos as primeiras palavras, no primeiro dia de aula, de que pudesse conhecer tanta pureza em meio a tanto entulho. Quando digo entulho, refiro-me ao mundo que não dá espaço para a ingenuidade e a doçura que se pode achar neste coração.

Aline. Alguma coisa separava nossos mundos. Não me perguntem como, mas, hoje, alguma coisa uniu nossos corações.

Afora todas as emoções que eu vivi neste ano de 2008, boas, ruins, necessárias, bobagens, acertos, erros, eu levo estes dois encontros pra 2009 como a herança mais rica destes quatro anos.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Sonhos... realidade...

Sonhos são uma das demonstrações mais reais de como somos pequenos diante da grandiosidade da vida. Você já parou pra pensar? Temos um dvd dentro do cérebro capaz de nos mostrar cenas incríveis: realidade, ficção, suspense, terror, romance e tantos outros tipos, justamente no momento em que não temos consciência, não somos protagonistas, mas telespectadores. E do que quer que seja: nossos desejos, medos, enfim, da nossa inconsciência.

Eu sempre tive certeza de que comigo é exatamente isso que acontece, porque, salvo raras exceções, os meus sonhos estão sempre atrelados a algo da minha vida "real". Mas eu nunca sonhei tanto como nos últimos meses. Eu já sonhei muitas vezes e depois, como num passe de mágica, me esquecia do sonho, assim, logo ao acordar. Não era capaz de contá-lo, apenas ficava com a sensação da lembrança. Mas nas últimas noites meu sono tem sido invadido por muitos, mas muitos sonhos mesmo. Algumas vezes, talvez a maioria, são vários numa só noite, e eu tenho sido capaz de me lembrar de todos eles. Dizem que quando a gente sonha muito não descansa. Não me sinto exatamente cansada, mas é uma sensação de caos ao acordar. Mas o fato é que na maioria das vezes os meus sonhos têm a ver com pendências da minha vida, ou do meu coração.

Por exemplo, outro dia eu sonhei a noite toda com um tennis que comprei pra correr. Não foi exatamente um sonho, cheio de cenas, mas eu passei a noite toda com essa idéia atormentando o meu sono. Eu experimentei dois modelos. Levei um, mas fiquei com o outro na cabeça e, no dia anterior já tinha decidido que iria trocar. Pois eu tive que ir correndo, assim que "acordei", senão era capaz de não dormir mais uma noite por causa disso.

Teve outro também, mais recente até. Sonhei com uma aula de inglês com meu novo professor, que eu ainda nem conheço pessoalmente (acertamos as aulas e trocamos algumas palavras por e-mail e msn). Começaremos depois das minhas férias e eu estou bastante ansiosa já que ele é inglês e não fala quase nada o português. Pois eu falava muito com ele no sonho, em inglês, e isso me deixou super feliz! Dizem que quando começamos a falar em inglês nos sonhos é porque já estamos interiorizando a nova língua... rs!

Enfim... são vários os exemplos de sonhos atrelados à minha realidade, à minha vida. Tem até aqueles sonhos em que se sonha com "alguém" que, quando acordados, temos que espantar do pensamento pra tornar menor a dor da saudade. Sim, porque há a saudade que dói, é aquela que sentimos de alguém que sabemos que não voltará, pelo menos não da maneira que desejamos. Estes têm abundado minhas noites. E eu me pergunto: já pensou se fosse ao contrário? Se o que vivemos na realidade fosse a extensão dos sonhos? Viveríamos o "impossível"? Talvez? Eu viveria!

A propósito, este post nasceu de um sonho que tive esta noite... e foi a primeira coisa que fiz hoje, logo ao acordar... nada mais justo!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Mérito a quem mérito!

Eu mencionei no post anterior que o bichinho do "quero/preciso criar um blog" me picou através do blog Alquimia do Verbo, do prof.º Luis Mauro, mas não poderia deixar de agradecer a dois outros espaços que me motivaram, foram o empurrãozinho que faltava: Vida Bailarina, da prof.ª Iêda Santos (com o qual me identifico muito, especialmente pelo gosto por Clarice Lispector e pelo tom "alma" que ele tem) e "Minha sorte é lançada em dados viciados", de Camila Caringe, colega de profissão, redação e ideologia educomunicatica quase Viracionista... rs! (saiba que admiro demais seu texto e inteligência!) Obrigada, meninas! A comunicação nunca é vã: sem saber, sem querer, semeia a transformação!

O nascimento

Dentre tantas histórias únicas da minha infância, que minha mãe vez ou outra me conta:

"Com você eu tive mais tempo que com a sua irmã, foi a primeira... na vez dela eu já tinha você. Eu pude tomar fluido de bicarbonato (pasmem... aos 27 não sei o que é ter que obturar um dente!); cortava seus cabelos, tão escassos no início, todo mês (sim, sim, meus cabelos podem ser facilmente confundidos com os de um descendente de oriental por sua espessura e quantidade!); era especialmente exigente com a sua alimentação que complementava sempre com vitaminas e complexos (seria este o motivo de tamanha "gostosura"?, eu me pergunto!); ficava com você repassando as lições, especialmente as do caderno de caligrafia (era nesta aqui que eu queria chegar!)."

Sempre tive muita intimidade com as palavras. Lá pela 5ª, 6ª série percebi que tinha as regras gramaticais como algo que "vem de dentro", nunca soube explicar uma sequer, mas tinha absoluta certeza de um "s" ou acento. Mais tarde, isso começou a se refletir em meu gosto por literatura. Tive uma professora no cursinho (não me lembro seu nome, mas era muito parecida com a Vera Zimmermman, atriz) que me fazia delirar na carteira com poemas de Drummond e Pessoa. Ela certamente foi responsável pela descoberta do dom incrível de rabiscar poesia que se manifestou em mim, é claro, em uma fase de profundo estado de paixonite aguda, lá pelos 20. O jornalismo veio como que "o caminho", depois de muito relutar (eu quis ser atriz por um ano, isso depois de ter enrolado durante 4 porque enfiei na cabeça que eu só seria alguém na vida se fizesse USP). Hoje, eu penso que poderia (não fosse ter me apaixonado perdida e irremediavelmente pelo jornalismo) exercer qualquer profissão que estabeleça um laço com essa ferramenta tão visceral a qualquer ser vivo: a comunicação.

Bom... esse longo discurso faz parte da explicação para o nascimento deste blog. Na onda deles eu não me apeguei nunca, nunquinha a esta corrente. Confesso não ser assídua leitora de blogs, mas um em especial, do prof.º Luis Mauro, quem tive o prazer de conhecer no 1º ano da faculdade, despertou meu interesse, até porque o cara é sensacional! Acho que ali fui picada pelo bichinho do "quero/preciso criar um blog". Sinto um prazer inexplicável em dividir, compartilhar, tudo que há em mim. Descobri ali pelos 20, lembram-se?, minha forma de reagir às paixões que aparecem ao longo do caminho, e descobri que, não estou, mas sou apaixonada, por absolutamente tudo, porque os meus olhos fazem de "tudo", "tudo e mais um pouco". Acho que minha vontade de ter um blog se explica na minha necessidade de gritar... mesmo que não se queira me escutar! E... não sei porque... mas tenho a forte sensação de que serei eu a assídua leitora (e autora) mais recompensada por este espaço.