domingo, 11 de janeiro de 2009

Ainda não...

Quando abri a porta do carro, senti como que a dentada da tristeza em meu peito. Eu havia conseguido conter as lágrimas que ameaçavam descer como uma avalanche durante todo o tempo. Fui andando, quase olhei pra trás e pedi que desconsiderasse aquilo tudo. Mas não dava pra desmanchar aquele ponto final. Não se remove um “adeus” com um "esqueça”. Foi então que me lembrei que foi ele quem se despediu. E eu que pensava que nem ia doer. Nem deixara ele me tocar. Tá! Foi só um abraço e, não sei se ele me abraçou com indiferença, ou eu mesma com a dor da rejeição. Sei que naquele abraço experimentei o maior vazio que jamais imaginara sentir. E foi com meu coração dilacerado que apressei o passo. Eu respirava fundo chamando a tranqüilidade de volta. Mas ela não veio. Enquanto me afastava, pensei que eu tava indo embora de tudo nele. Mal sabia eu que ali naquele instante eu tinha trazido ele inteiro comigo. Eu entrei pelo portão, andei o caminho entre o jardim e o elevador, subi e atravessei o corredor até ganhar o apartamento. Mas só quando cerrei a porta do quarto atrás de mim me dei conta de que havia saído do carro dele, sem nem perceber como agora estava ali, agarrada ao travesseiro com as pernas encolhidas, juntas ao corpo, procurando na posição algum conforto para o quase sufocar. E enfim... não mais pude segurar, elas vieram com toda a força da minha dor. E eu tinha tanto a chorar! Só queria estar sozinha tempo suficiente pra encharcar meu colo com a minha tristeza, e sem platéia. Naquela noite minha cabeça não se ocupou das lembranças. Apenas o fato, o rompimento, a força violenta do fim me traziam uma sensação alucinante de não ter chão, nem ar, nem nada. E depois os dias. As lembranças tomaram um bom tempo da minha lucidez. A saudade várias vezes teve a certeza de que me venceria enfim. E eu estou aqui. Achei que hoje poderia escrever que esta semana alguma coisa me fez pensar que isso talvez pudesse ter começado a minar dentro de mim. E há quase três meses ele me disse adeus. Ele, e não eu. E continua a me saudar nas lágrimas que rolaram durante este breve relato.

5 comentários:

Michelle Ribeiro disse...

Lindo texto...apesar de triste, é lindo mesmo. Não tenho nenhum conselho a te dar...só que o tempo cura tudo...

beijos

Dexter disse...

realmente bonito...porém triste
=(

Vida Bailarina disse...

Triste este texto...
Eu diria que curar, o tempo não cura, mas faz a gente se acostumar e começar a ver a vida colorida outra vez, mesmo que a lembrança triste volte a nos envolver por um décimo de segundo. Ai, a gente aprende a amar de novo, e a dor se transforma numa lembrança triste ainda, mas que trouxe um aprendizado importante. Temos que aprender a ficar longe do objeto amado, mesmo que o tempo, que nesse caso não pode ser medido assim por horas e dias, não leve o sentimento embora, apenas ensine a viver longe dele e escolher outro objeto, que pode ser muuiiiiiito melhor! Ou ainda, trazer o mesmo de volta. Nunca sabemos o que está reservado... o que parece acabado pode voltar a acontecer, o que parece eterno pode acabar. Quando a dor e as lágrimas vierem, lembre-se apenas que a vida é bela para desperdiçar cada segundo com tristeza. E deixa o tempo rolar... a felicidade vem junto de uma forma ou de outra. Beijão

Camila Caringe disse...

Era um tempo.
Mas o tempo passa.
E outros vêm e virão.
Serão outros tempos. De mais azul no seu céu.

technology disse...

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