sábado, 17 de janeiro de 2009

Amor "ideal"


Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manoel Bandeira



Esta foi a primeira vez que senti um estalo no coração. Quando li o poema de Manoel Bandeira há muitos anos atrás eu me lembro de ter me identificado muito com ele, coisa que se come e se fica ruminando depois. Eu nunca mais deixei a poesia passar despercebida. Temos nossos momentos de distanciamento sim, como em todo relacionamento intenso, mas ela nunca mais foi pra mim algo irrelevante. Muitas outras vezes depois eu reli este poema e fiquei me perguntando por que ele teria despertado a poesia dentro de mim. No começo eu afirmava discordar com convicção da idéia de Bandeira. Sempre fiz parte do time das românticas incuráveis que acreditam no conto, com príncipe e até cavalo. E muitas outras vezes eu me questionei: o que pode ter feito o poeta acreditar que o amor nada tem a ver com alma? Hoje, o mesmo poema me causou outro questionamento: como a convicção da alma pode ser tão contrária à realidade da carne? Tenho me alimentado de amor na alma, tenho sentido fome do amor concreto, feito de carne, de corpos, de cheiro. Tenho vivido histórias de amor “a um” quando tudo o que pede minha “alma” é que a deixem viver uma história de amor “a dois”, com corpos, almas e espíritos inteiros, presentes, entregues... será que era isso que também queria Manoel Bandeira?!

4 comentários:

Luciano disse...

Acredito que Manoel bandeira não conheceu o amor. Nenhum poeta conhece o amor! Todos os poetas sempre estão sempre contemplados com o amor, que quando acham que o descobriu, inventam mil e uma formas de desbancar seu próprio enetendimento para re-descobrir o amor. Caso contrário, as poesias acabariam.
E penso, sinceramente, que Clarice, Drummond e Machado eram Quimeras. Mas Bandeira, pra mim ele menino, com pés incertos com medos de conhecer verdadeiramente o que é uma alma.
Lembra como me definiu a palavra alma? Pois bem, use essa definição, e só ela, numa linha, desbanca as certezas e incertezas do verso do meu amigo quase Quimera Bandeira. Eu prefiro os teus versos.

Michelle Ribeiro disse...

Acho que discordo do poeta, se é que tenho gabarito para isso. Para mim não existe amor sem alma...é nela que moram os sentimentos e não na carne.

Camila Caringe disse...

Desconfio que sim, Mandy.
Desconfio que, na verdade, é só isso que todo mundo quer...
É luta pacífica e oculta.
Inevitável impulso que nos impele a um outro. Outros. A quem possamos amar. E que nos serão mais caros do que nossa própria vida.
É loucura.
Mas é assim.

sticker disse...

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