quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A cara da comunicação social

O Valor Econômico publicou ontem (06/01/2009) reportagem que revela: chega a 43 milhões o número de brasileiros/as com acesso à internet. Os dados são do instituto de pesquisa Ibope/NetRatings. Num país como o Brasil, composto de “Brasis” de vários tamanhos, classes, credos e cores, o número é realmente considerável, excede a população total de países como Espanha e Argentina.

Na mesma matéria, outro levantamento, desta vez feito pela empresa de pesquisas Pyramid Research, mostra que sites de relacionamento e de compartilhamento de conteúdo, como o Orkut e o YouTube, lideram o ranking dos serviços mais procurados pelo/a internauta brasileiro/a, ao lado de ferramentas como MSN e e-mail.

E aí, eu me aproprio de duas afirmações feitas por fontes contempladas na referida reportagem: “Antes de qualquer outra coisa, as pessoas querem se comunicar”. E a outra: “Uma vez que a pessoa tenha contato com a tecnologia, ela tende a não querer abrir mão desse benefício”. E vou mais longe ainda: Uma vez que a pessoa tenha a possibilidade de ser protagonista de seu direito à comunicação, ela tende a não querer abrir mão desse direito/benefício.

As pessoas estão descobrindo a “fome” de um direito que lhes é garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, a propósito, completou 60 anos em 2008: o direito à comunicação. E, mais do que um elemento necessário à vida em sociedade, ou melhor, à vida, a comunicação tem cara. É isso mesmo! Ela tem nome, sobrenome e endereço, tem identidade, haja vista que ela mesma é a marca da diversidade cultural entre os povos. E outra reportagem, veiculada no mesmo dia, desta vez na Gazeta Mercantil, mostra que o próximo capítulo da internet não será escrito só em inglês.

Um engenheiro que mora perto de Bangalore, na Índia, aprendeu a língua na adolescência, mas ainda prefere conversar com os amigos e familiares na sua língua nativa kannada, o que é perfeitamente compreensível.

Ram Prakash Hanumanthappa explica na reportagem que o inglês é falado fluentemente na Índia por apenas um décimo da população (semelhantemente a quase todos os países que não têm o inglês como língua nativa), e mesmo muitos indianos com ensino superior preferem os contornos de suas línguas nativas nas conversas cotidianas. Justo!Mas para escrever kannada na internet é preciso usar diagramas nas teclas do computador que mesmo Ram acha difícil aprender. Pensando nisso, este indiano desenvolveu, em 2006, o Quillpad, um serviço on-line para digitar em 10 linguagens sul-asiáticas. Os usuários soletram as palavras de linguagens locais foneticamente em letras romanas, e a máquina as converte em escrita do idioma local.

A ideia fez tanto sucesso entre blogueiros/as e autores/as que tem atraído o interesse de empresas como a Nokia, e chamado a atenção até mesmo do Google, que desde então apresentou sua própria ferramenta de transliteração. A propósito, a Ásia já tem mais que o dobro de usuários de internet da América do Norte, e até 2012 terá o triplo. Desde já, mais da metade das consultas de pesquisa no Google se originam de fora dos EUA. “Os gigantes da tecnologia americana estão gastando centenas de milhões de dólares a cada ano para construir e desenvolver sites e serviços em língua estrangeira – antes que empresas locais lhes passem a perna e tomem os lucros”. A consultora de marketing Rama Bijapurkar resumiu bem este desafio: “Se uma empresa quiser alcançar um bilhão de pessoas, ou mesmo meio bilhão, terá de se conectar com elas, então não terá outra opção além de se comunicar em múltiplos idiomas”.

Está provado: nós damos as cartas, e a cara, da comunicação que queremos e temos direito. A propósito, amanhã começo minhas aulas particulares de inglês... rs!

5 comentários:

Vivian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian disse...

eba!
vai arrasar na língua do Tio Sam!
beijo! beijo! beijo!

Luciano disse...

Os abraços substituídos por sinais binários, as cartas trocadas por letras digitas e a presença, tornada inutil, sendo que de longe se resolve tudo. A particulariedade some, a amazizade é forjada sobre paralelos digitais, e o gosto das coisas presenciais somem.
O abraço apertado, forte e fortalecedor, as letras presas num papel, onde se pode tocar e sentir a caligrafia, o perfume e o humor de quem escreveu e a presença, essa é sem dúvida a fonte de muitas felicidades... Me dá medo imaginar perder tudo isso. Não saberia viver assim. Espero eu, não ser saudosista do dia em que as pessoas se cumprimentavam na rua. Seu post me fez pensar muito, te gosto muito Amada Amanda!

Amanda Proetti disse...

Sabe q seu comentário me fez pensar tbém?! Tens razão... afinal... td tem seus prós e contras?!
Te adoro tbém!