terça-feira, 31 de março de 2009

Malvado amor!

Foto by Google

O lado feio do amor está em não sentir o coração pulsar ao ouvir a voz do outro lado da linha.
Em não notar o estômago emergir em um vácuo de esperança e nervosismo enquanto o tempo se arrasta em uma insuportável lentidão até o horário marcado para o encontro.
O lado feio do amor está mesmo na impossibilidade de reproduzir o timbre da voz só pra sentir a emoção tomando conta do corpo todo.
Em não perceber os pés saindo do chão e o corpo flutuando, ganhando altura e voando só com o toque dos lábios.
O amor é mesmo feio quando não permite que o pensamento insista em retornar sempre para o mesmo destino quanto mais se tenta atraí-lo para as tarefas do dia a dia.
Quando não é necessário como o ar planejar o amanhã juntos e imaginar os frutos do amor se perdendo no tempo e espaço.
O amor chega a ser indecente quando não desperta a poesia e a faz sair por cada poro da pele tão naturalmente como o abrir e fechar de olhos.
Ou quando limita o ilimitado para quem por amor faria, iria ou estaria onde quer ou o que quer que fosse.
Está na saudade restrita a um determinado número de horas ou dias quando ela estaria presente até mesmo a dois.
No prazer que não transcende o contato físico.
No olhar que não invade a alma.
No toque das mãos que se limita ao tato.
Nas palavras que sempre se fazem necessárias.
No silêncio que se transpõe como obstáculo e não pode ser também desfrutado pelo simples estar.
O lado feio do amor não é só feio, é triste, de uma tristeza dilacerante.
Me atrevo a pensar que é a maior de todas as tristezas conhecidas por um coração.
E não só por aquele "afortunado" que sofre porque um outro coração não pode lhe devolver tudo em amor correspondido.
Mas pelo "infeliz" coração que é escolhido para/pelo o amor e não pode assim também elegê-lo.
E sente como que a felicidade escapando-lhe da alma... mais uma vez... mesmo agora... estando deste lado de cá!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Num breve viver...

Mal percebera o trajeto que se transpôs da plataforma ao carrinho. Quando se deu conta já estava ali, sentada, afivelando o cinto de segurança. Um fio gélido começara a se formar no final da coluna, e vinha tomando tamanho e subindo em direção ao estômago. Ela tentava se concentrar na respiração: Inspira!... Expira!... devagar e profundamente na tentativa de evitar o atropelamento do ar. Ela realmente tentava se concentrar na respiração, mas os flashes do que estava por vir, o ritmo desenfreado do carrinho nos trilhos, as bruscas curvas, o grunhido das rodas, os gritos... tudo se embaralhava em cenas bem diante de seus olhos. Tinha a impressão de que estava parada ali, sentada dentro do carrinho, por uma breve eternidade... quando viu o aceno de ok para o operador e a fila de carrinhos começou a se movimentar. O que era só um fio já se transformara em nó e chegava cada vez mais próximo da garganta. Ela ainda tentava se concentrar na respiração e a essa altura, um solavanco... a fila ganhava altura... subia rumo ao topo... e como se não bastasse o todo do desafio, ela estava no primeiro carrinho e nesse ponto se perguntava como tinha ido parar ali. Em meio a um turbilhão de pensamentos que mais pareciam um clipe de cenas embaralhadas transpostas umas às outras muito rapidamente dentro do cérebro, ela sentiu outro solavanco. E percebeu que a fila dera um tranco parando por completo. Ela não tinha certeza, mas olhou pra baixo mesmo assim. Alto! Muitos metros a separavam do chão agora. Sentiu então uma vontade inexprimível de pedir que a fila retornasse pra que ela pudesse descer do carrinho antes que tudo terminasse. Concluíra que havia arriscado demais, e não se sentia preparada praquilo. Tarde demais! Outro solavanco... e o carrinho começou a descer a incrível e alta montanha russa... Ela teve um ímpeto de fechar os olhos, mas não conseguiu... não podia perder um segundo sequer de tudo aquilo... Os trancos jogavam seu corpo pra todos os lados que a gravidade permitia... e ela agradeceu por não ter se esquecido de amarrar-se justa ao banco com o cinto. Ela nem tinha se dado conta ainda, mas tinha os braços completamente estendidos para o alto e uma sensação de liberdade plena a tomava por inteira... e ela julgou chamar aquele momento de felicidade. Mais algumas curvas inescrupulosas e outro solavanco. A velocidade foi abruptamente interrompida, só mantendo a mínima continuidade até chegar ao ponto correto em que devia estar posicionada a fileira de carros. Extasiada, tentando voltar à respiração normal e compassada, ela percebeu que o nó na garganta se dissolvera em uma sensação gostosa, um prazer que se espalhava pelo corpo inteiro agora e lhe acrescentava um sorriso leve no rosto. O coração pulsava acelerado ainda... as pernas tremiam tanto que ela não podia pensar em se levantar e sair dali... Certamente ela enfrentaria tudo de novo nas próximas vezes, mas não podia pensar... não queria... e tudo não passou de um espasmo... um fragmento de vida!

terça-feira, 17 de março de 2009

Aha ta...

- Desejo é uma necessidade que enlouqueceu!

- Qual necessidade?

- Qualquer uma... que enlouqueceu...

- A minha de ser feliz...

- A sua necessidade de ser feliz enlouqueceu?

- Sim. Está paranoica!

- Então... virou desejo! Porque desejo não é vontade, nem necessidade... é loucura! Loucura enlouquecida...

Subitamente...

Ela sabia que não havia de ser nada.
Lembrara que há tempos atrás teve os mesmos sintomas, que depois sumiram de uma hora para outra sem explicação.
Mas as palpitações se intensificavam, e desta vez era diferente. O vácuo na garganta, como se tivesse acabado de levar um susto ou passar por uma situação de descarga de adrenalina a incomodavam, a deixavam tensa, em estado de alerta o tempo todo... ela não conseguia relaxar. E com o passar dos dias, os sobressaltos vinham acompanhados de uma falta de ar muito chata.
Um dia antes ela foi à academia, cismada, mas foi. Ficou o tempo todo se observando para perceber se o ritmo cardíaco se alterava. Sentiu desconfortos, mas os julgou iguais aos que sentia a qualquer momento do dia, fosse em pé ou sentada, pulando como uma macaca ou mesmo na hora do banho. Então desconsiderou que o motivo fosse o esforço físico e se rendeu à dura aula de Body Attach.
Mas, na manhã seguinte, ela não conseguia se concentrar de jeito nenhum no trabalho. E a falta de ar passou a ser muito mais desconfortável.
A caminho do hospital ela previu o que diria a médica horas depois. Lembrou-se da tristeza interminável que a acometera dias atrás e de como vinha percebendo mudanças em seu próprio organismo, mudanças cujas causas ela podia supor.
Logo de cara: pressão alta e estado febril.
- Você está nervosa? – perguntou a enfermeira.
- Não exatamente, mas meu corpo sente como se estivesse! - Como ela explicaria?
Avaliação primária, consulta, Raios-X, Eletrocardiograma e reavaliação depois...
- Não tem nada errado com você! Toma algum antidepressivo? Remédio para emagrecer? Fuma? Bebe? Toma muito café?
Depois de sei lá quantos ‘nãos’, os mesmos para as duas médicas, uma na consulta e outra na avaliação dos exames, o diagnóstico:
- Ansiedade. Problema de fundo emocional.
No caminho de volta para casa ela ia lembrando e rindo de si mesma. Falou como uma matraca o tempo inteiro... com a enfermeira, com o técnico do Raios-X, com a auxiliar do Eletro e com as duas médicas que a examinaram. Mesmo que não fosse ansiedade, ela fez direitinho o papel da hipocondríaca desvairada. Todos obviamente devem ter pensado o mesmo.
Mais um Ecocardiograma e alguns exames hormonais ajudarão no diagnóstico final. Mas para ela está claro, passar dos 18 é complicado, o corpo abre um leque de novas reações, já dizia sua mãe, e até aquelas que julgávamos não materiais, se materializam em taquicardias, palpitações, dores, náuseas ou qualquer sintoma que seja, dos mais reais e sensíveis possíveis.
Ela terá mesmo que manipular o remédio certo para seu mal...
Por o pé no freio da impulsividade e não agir como uma criança mimada que chora diante da não concretização instantânea de sua vontade sem compreender os motivos, talvez ajude a começar...
E um check-up geral, é claro, nunca é demais! Com direito a Raios-X da alma, Ecocardiograma dos batimentos mentais e doses duplas de carinho, paciência e auto-estima...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Da chegada do amor

Composição: Elisa Lucinda

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis um amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis um amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis um amor que amasse!

Foto by Google

domingo, 15 de março de 2009

DESEJO muito tudo isso!

Certa vez me disseram pra tomar cuidado com o desejo do meu coração, pois este, o coração, enganoso é. Pensei que tivesse aprendido, e sempre ouvi, que eu devia seguir o sentido da voz dele, do coração, quando a dúvida me paralisasse frente à bifurcação. Eu guardei isso em minha mente desde então.

Daí tentaram me explicar a real separação e as diferenças que há entre corpo, alma e espírito. E a mim, pela primeira vez, me pareceu uma teoria bastante inteligente. Assim, o corpo seria nossa parte material, constituída de carne, ossos, células. A casa onde moram nosso espírito e alma, por meio da qual nos materializamos neste mundo. O espírito seria a parte de nós que se relaciona com o mundo espiritual e com Deus, já que está escrito que Ele é espírito, e somente com nosso espírito pode se relacionar. Enfim, a alma, seria algo como nossas emoções, nossos desejos.

Durante muito tempo eu ensaiei assimilar esta divisão, porque encontrei nela resposta para muitos questionamentos. A primeira é que, claro, nossos desejos não podem mesmo ter como fonte nossa carne, já que não se tratam de matéria. A alma seria como a mediadora entre corpo e espírito, a tradutora. Ficou claro pra mim que o desejo da alma é completamente diferente, e muitas vezes contrário ao desejo do espírito, mas não menos intenso, não mesmo!

Desejo deve ser o combustível de nós, seres humanos tão lindamente complexos, para a vida. Seria impossível abrir os olhos todas as manhãs não fosse o empurrão do desejo. Nada faria sentido. A luta que se trava entre alma e espírito constantemente também ficou clara depois que assimilei esta teoria.

O fato é que essa “lição” não cessou a luta dentro de mim. Tão pouco a necessidade latente de viver intensamente esta luta, mesmo que seja incrivelmente doída na maioria das vezes, mas sinto o gosto da vida intensa me doando a causas maiores que as “cotidianescas” e banais que vejo vez por outra.

Os desejos do meu espírito são sólidos e claros pra mim. Já os desejos da minha alma são vorazes, inteiros, apaixonados, doentios, loucos, insanos e mesmo assim tão justos em minha fome, em minha sede, de amor, de emoção, de paixão, de inteireza, de vida...

Eu não quero tornar nada claro com este texto, provavelmente queira é escurecer. Não quero que nada aqui seja resposta, quase sempre enxergo mais sentido na insensatez. Apenas um desejo incontido me levou a formar estas linhas, pra que, mais que me unir a uma rede, eu pudesse tentar EXPRIMIR-ME, porque isso é latente em mim. Eu já não procuro compreensão, o desafio é tão mais tentador... DESEJO!

Foto by Google

Este post participa da Tertúlia Virtual deste mês.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mas...

... tenho mesmo muito medo...
... de me afogar...

terça-feira, 10 de março de 2009

No fundo...

É, e ontem mesmo eu discursava na mesa de um bar como eu tenho respeito pelo mar, respeito de não subestimá-lo, sabe como é?! Mas pensando bem, eu tenho é muita sede que não vence com a cotidiana espuma das ondas, só se sacia mesmo é com as perigosas correntezas da imensidão!

domingo, 8 de março de 2009

Os Teus olhos vão estar...

Desci do táxi e de nada me apercebera até aquele momento. Mas da rua, antes mesmo de entrar pelo portão, um som já soava diferente, não nos ouvidos, mas nas entranhas da alma. E a cada passo que eu dava, uma emoção tomava conta das palpitações do meu coração, lentamente, mas com força suficiente pra embargar a garganta, e ao ganhar a porta e entrar pelo corredor lateral o choro já se fazia nó e só então eu percebi que desde lá de fora eu já cantarolava a letra da canção e minha voz ia ganhando volume quanto mais perto eu chegava e mais alto se tornava o som das caixas acústicas... acho que pra eu escutar a minha própria voz mais audível que a banda e o som dos instrumentos, porque minha emoção se extasia e vem à tona assim, cantando, chorando, extravasando o amor que percebo ser tão intenso nessa hora de intimidade...

E isso nada tem a ver com paredes, com endereço, com placa... mas com átrios, com presença, com signos, significados...

Nem sei quanto tempo estive longe, talvez um mês, talvez mais, talvez menos, mas uma abrupta tristeza sombria veio repousar sobre mim nos últimos dias tornando este tempo ainda maior na minha impressão. Eu já nem me lembrava o tamanho do poder que tem Tua voz sobre mim... eu já nem me lembrava como era a sinfonia, eu já até me esquecera... de tantas coisas, do Teu olhar, do barulho de águas, uma torrente, ou de trovão, quase terremoto, que me causa imensidão de calmaria... a Tua voz...

Por que eu me esquecera? Talvez se tivesse lembrado, se tivesse podido escutá-la estes dias... mas quando a escutei hoje de manhã me vieram tantas respostas pra perguntas que me rodeavam incabíveis no escuro que se alastrou neste quarto nos últimos tempos...

Definitivamente eu não preciso temer a religião e tudo que advem dela, simplesmente porque Tu não se resumes a isso, porque Tu não és isso... que bom... que bom!

Que bom que és verdadeiramente TUDO, e toda a minha certeza de sentido. Que bom que me sinto de novo em lugar reconhecível, e que mais uma vez, das tantas outras milhares, viestes me buscar, aqui, neste novo lugar que eu encontrei pra me esconder, de mim, de tudo, de todos, mas não de Ti...

Que bom que as cores se fizeram coloridas de novo, e que as minhas lágrimas agora têm o gosto salgado do alívio dos Teus braços fortes onde, e somente onde tenho o encontro mais real que eu poderia ter, comigo, porque encontro contigo e tenho a certeza de todos os ‘porquês’ e de tudo que eu sou ou não, e já não me importa, eu me lanço porque confio, e sei, e sinto, o amor, na plenitude do que pode e deve ser, o amor, Tu, Teu, meu, e é tanto, que faz também meu amor por Ti ser mais amor do que qualquer amor que eu sequer poderia idealizar...

Em resumo, a letra da canção, lembrada por Teu espírito nesta manhã de domingo, diz muito...

Não há quem possa ficar tão longe...

Se eu fizer a minha casa no mais alto
Se eu armar a minha cama entre os mortos
Os Teus olhos vão estar
EU SEI



... em todo lugar!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Just a chance...

Inconstâncias

O que me atormenta é essa passividade
Esse conformismo morno, essa tranquilidade
Você devia “espernear” mais
Gritar, chorar, não se calar
Agarrar-me com sua masculinidade de “sexo forte”
Abraçar-me com “violência” e beijar minha boca com intensidade...
Ofegante...
Provar-me que seu sentimento tem pressa e não é capaz de aceitar a minha vontade
E fazer prevalecer a sua...
O que me deixa em estado de nervos é essa sua mania de respeitar a minha “(in)decisão”
Me deixa louca
Me tira a razão
Desequilibra meu “equilíbrio”
E mal sabes que assim é que me tens mais perto
Mais na sua
Me rouba a atenção
Sua indiferença mexe com o despeito do meu mais íntimo ser
Mas continuarei relutante aos meus próprios instintos
E te direi com firmeza que a minha vontade deve prevalecer
Mas de que adianta?
Já nem me perguntas...
Foi-se o tempo em que, em meus devaneios, me desobedecerias
E como eu queria...
Em meus devaneios...
Foi-se o tempo...
Houve o tempo?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Temporariamente...

No lugar mais alto, quieto e isolado...

Foto by Google