segunda-feira, 23 de março de 2009

Num breve viver...

Mal percebera o trajeto que se transpôs da plataforma ao carrinho. Quando se deu conta já estava ali, sentada, afivelando o cinto de segurança. Um fio gélido começara a se formar no final da coluna, e vinha tomando tamanho e subindo em direção ao estômago. Ela tentava se concentrar na respiração: Inspira!... Expira!... devagar e profundamente na tentativa de evitar o atropelamento do ar. Ela realmente tentava se concentrar na respiração, mas os flashes do que estava por vir, o ritmo desenfreado do carrinho nos trilhos, as bruscas curvas, o grunhido das rodas, os gritos... tudo se embaralhava em cenas bem diante de seus olhos. Tinha a impressão de que estava parada ali, sentada dentro do carrinho, por uma breve eternidade... quando viu o aceno de ok para o operador e a fila de carrinhos começou a se movimentar. O que era só um fio já se transformara em nó e chegava cada vez mais próximo da garganta. Ela ainda tentava se concentrar na respiração e a essa altura, um solavanco... a fila ganhava altura... subia rumo ao topo... e como se não bastasse o todo do desafio, ela estava no primeiro carrinho e nesse ponto se perguntava como tinha ido parar ali. Em meio a um turbilhão de pensamentos que mais pareciam um clipe de cenas embaralhadas transpostas umas às outras muito rapidamente dentro do cérebro, ela sentiu outro solavanco. E percebeu que a fila dera um tranco parando por completo. Ela não tinha certeza, mas olhou pra baixo mesmo assim. Alto! Muitos metros a separavam do chão agora. Sentiu então uma vontade inexprimível de pedir que a fila retornasse pra que ela pudesse descer do carrinho antes que tudo terminasse. Concluíra que havia arriscado demais, e não se sentia preparada praquilo. Tarde demais! Outro solavanco... e o carrinho começou a descer a incrível e alta montanha russa... Ela teve um ímpeto de fechar os olhos, mas não conseguiu... não podia perder um segundo sequer de tudo aquilo... Os trancos jogavam seu corpo pra todos os lados que a gravidade permitia... e ela agradeceu por não ter se esquecido de amarrar-se justa ao banco com o cinto. Ela nem tinha se dado conta ainda, mas tinha os braços completamente estendidos para o alto e uma sensação de liberdade plena a tomava por inteira... e ela julgou chamar aquele momento de felicidade. Mais algumas curvas inescrupulosas e outro solavanco. A velocidade foi abruptamente interrompida, só mantendo a mínima continuidade até chegar ao ponto correto em que devia estar posicionada a fileira de carros. Extasiada, tentando voltar à respiração normal e compassada, ela percebeu que o nó na garganta se dissolvera em uma sensação gostosa, um prazer que se espalhava pelo corpo inteiro agora e lhe acrescentava um sorriso leve no rosto. O coração pulsava acelerado ainda... as pernas tremiam tanto que ela não podia pensar em se levantar e sair dali... Certamente ela enfrentaria tudo de novo nas próximas vezes, mas não podia pensar... não queria... e tudo não passou de um espasmo... um fragmento de vida!

5 comentários:

Michelle Ribeiro disse...

E que delícia essa sensação...Saia da montanha russa e vá logo pro sky coaster...você merece sentir isso pra sempre! SIJOGA!!!!

#Eric Silva# disse...

Certamente ela não estará sozinha para enfrentar a montanha-russa e nem um de seus medos, isso ela pode ter certeza!
No momento não precisa pensar, não é o momento! Agora é hora de se libertar!

Iêda disse...

Ás vezes a vida é como enfrentar uma montanha russa mesmo... No final a alegria sempre volta mais forte!! bjo

Camila Caringe disse...

hahahaha

Amei saber das meiguices de vocês...!!!! Quero ver isso pessoalmente!!! rs

Nade disse...

Show de postagem... nada como umas sacolejadas de vez em quando...
Estive um pouco ausente daqui, mas virei com mais frequencia, até porque adoro o seu blog!
Bjs e excelente domingo!