terça-feira, 17 de março de 2009

Subitamente...

Ela sabia que não havia de ser nada.
Lembrara que há tempos atrás teve os mesmos sintomas, que depois sumiram de uma hora para outra sem explicação.
Mas as palpitações se intensificavam, e desta vez era diferente. O vácuo na garganta, como se tivesse acabado de levar um susto ou passar por uma situação de descarga de adrenalina a incomodavam, a deixavam tensa, em estado de alerta o tempo todo... ela não conseguia relaxar. E com o passar dos dias, os sobressaltos vinham acompanhados de uma falta de ar muito chata.
Um dia antes ela foi à academia, cismada, mas foi. Ficou o tempo todo se observando para perceber se o ritmo cardíaco se alterava. Sentiu desconfortos, mas os julgou iguais aos que sentia a qualquer momento do dia, fosse em pé ou sentada, pulando como uma macaca ou mesmo na hora do banho. Então desconsiderou que o motivo fosse o esforço físico e se rendeu à dura aula de Body Attach.
Mas, na manhã seguinte, ela não conseguia se concentrar de jeito nenhum no trabalho. E a falta de ar passou a ser muito mais desconfortável.
A caminho do hospital ela previu o que diria a médica horas depois. Lembrou-se da tristeza interminável que a acometera dias atrás e de como vinha percebendo mudanças em seu próprio organismo, mudanças cujas causas ela podia supor.
Logo de cara: pressão alta e estado febril.
- Você está nervosa? – perguntou a enfermeira.
- Não exatamente, mas meu corpo sente como se estivesse! - Como ela explicaria?
Avaliação primária, consulta, Raios-X, Eletrocardiograma e reavaliação depois...
- Não tem nada errado com você! Toma algum antidepressivo? Remédio para emagrecer? Fuma? Bebe? Toma muito café?
Depois de sei lá quantos ‘nãos’, os mesmos para as duas médicas, uma na consulta e outra na avaliação dos exames, o diagnóstico:
- Ansiedade. Problema de fundo emocional.
No caminho de volta para casa ela ia lembrando e rindo de si mesma. Falou como uma matraca o tempo inteiro... com a enfermeira, com o técnico do Raios-X, com a auxiliar do Eletro e com as duas médicas que a examinaram. Mesmo que não fosse ansiedade, ela fez direitinho o papel da hipocondríaca desvairada. Todos obviamente devem ter pensado o mesmo.
Mais um Ecocardiograma e alguns exames hormonais ajudarão no diagnóstico final. Mas para ela está claro, passar dos 18 é complicado, o corpo abre um leque de novas reações, já dizia sua mãe, e até aquelas que julgávamos não materiais, se materializam em taquicardias, palpitações, dores, náuseas ou qualquer sintoma que seja, dos mais reais e sensíveis possíveis.
Ela terá mesmo que manipular o remédio certo para seu mal...
Por o pé no freio da impulsividade e não agir como uma criança mimada que chora diante da não concretização instantânea de sua vontade sem compreender os motivos, talvez ajude a começar...
E um check-up geral, é claro, nunca é demais! Com direito a Raios-X da alma, Ecocardiograma dos batimentos mentais e doses duplas de carinho, paciência e auto-estima...

2 comentários:

Michelle Ribeiro disse...

Mente sã, corpo são...Os pensamentos têm poderes que nós nem imaginamos...sei bem o que é isso e olha que só tenho 21....

.::Li Hormigo::. disse...

Qual o seu mal?
Ah, sim. Gasstrite. Fundo emocional.