terça-feira, 28 de abril de 2009

Retiro(-me) pessoal...

Preciosos leitores deste meu humilde canto, decidi me afastar por tempo indeterminado de algumas coisas temporais demais. Isso porque eu devo ter me perdido em algum lugar pelo meio do caminho e ainda não me dei conta de quando, nem como. Preciso de um tempo pra voos "diferentes", mais internos e particulares do que este espaço pode proporcionar! Agradeço de coração todos que acompanham minha alma desenhada em cada pedacinho deste meu blog. Foi importante, muito, e será ainda, assim que eu tiver cores novas, novos suspiros e inteirezas que não pedacinhos pra mostrar!

Um abraço carinhoso!

Sensibilidade à flor...

DIÁLOGO VERÍDICO dias depois de um “Só você pode se ajudar - Beijo!” diante de um pedido de aconchego igual ou mais explícito que o abaixo...



- Oi!

- Oi Linda! Como você está hoje?

- To aqui... na mesmíssima vidinha ‘mequetrefi’ de sempre... só tenho vontade de ficar no meu quarto...

- Mas não pode ficar com essa vontade!

- Mas é essa a vontade...

- Mas você quer que mude ou está bem assim?

- Não... está péssimo! Quem gosta de não sentir vontade de existir?

- rsrs... eu gosto às vezes... mas é uma fase, vai passar!

- Espero que sim! É que nunca tinha sido tão intensa e nem tão longa. Minha mãe ontem me perguntou se não tem nada na vida que me motive.

- E você respondeu o quê?

- Eu tive que admitir que sinceramente NÃO! Eu não gosto nada nada disso... não acho normal, mas é o que eu sinto!

- Se você não gosta tente mudar o que sente!

- Mas não dá! É profundo! É que não dá pra explicar... só sentindo pra entender. O que eu posso fazer? Eu não sinto vontade de nada, e comecei a ter medo até da morte agora... sinal de que comecei a pensar nela com mais atenção.

- Vixe! Complicado... Vou comer... Beijo!

- Ah ta... vai lá...



PS.: Vale ressaltar que os dois são "amigos" e que, teoricamente, se importam um com o outro...

Imagem do Google

segunda-feira, 27 de abril de 2009

(Des)Apetite

"... Então lembrou-se de seu filho que um dia dissera na hora do jantar: não quero esta comida! A mãe retrucara: que comida você quer? O menino terminara dizendo com o doloroso espanto da descoberta:
- Nenhuma!
Ele, Martim, então lhe dissera:
- É muito simples: se você não está com fome, não precisa comer.
Mas a criança começara a chorar:
- Não estou com fome, não estou com fome...
E como o rádio também estava ligado, o homem gritara:
- Já lhe disse que se você não tem fome não precisa comer! por que então está chorando?
O menino respondera:
- Estou chorando porque não estou com fome.
- Prometo que amanhã você vai ter fome, prometo!, dissera-lhe Martim perturbado, entrando por amor na verdade de uma criança.
... Afinal uma pessoa se mede pela sua fome - não existe outro modo de se calcular."

A maçã no escuro
Clarice Lispector



E nada fazia nenhum sentido. Ela nunca sentira essa falta de perspectiva e fragilidade tamanha, não assim, com tanta intensidade. Desta vez era pra valer! Tentava dar nomes, definir o que seria tudo aquilo que se passava, dentro, no mais profundo do seu ser, na superfície também. E era tudo tão superficialmente confuso. Chegara ao ponto de sentir um medo incomparável a qualquer outro sentimento que ela já conhecera só de pensar no dia de sua morte. E percebeu que até as convicções espirituais que ela pensava fazerem parte de seu universo não eram mais reais. Como seria? Trágico! Abominável pensar viver uma eternidade feliz... pior seria o castigo do inferno pra todo sempre! Mas isso a atormentou bem pouco, só por alguns segundos. Ela ainda tentava encontrar nomes. Qualquer que fosse o rumo que escolhesse seu pensamento, a cabeça rodando em um turbilhão, nada lhe fazia sentido algum. E ela se perguntou se ainda havia planos para a felicidade. Julgou que não. Talvez aí estivesse o problema. Era tudo tão absurdo! O que faltava era felicidade. Mas o que seria felicidade? Criou em sua mente o cenário perfeito, o sonho almejado de vida... será?! A simples dúvida lhe fez perceber que talvez o poço fosse mais fundo do que ela supunha. Haveria alguma coisa já inventada que fosse capaz de lhe fazer sentir a tal felicidade? E se sim, poderia ela colher esse fruto de tanta escuridão? Não sabia... Era isso, não sabia de absolutamente nada. Nada! Então preenchia os minutos, as horas, os dias com o que conseguia de mais fútil e temporal: comer, dormir, trabalhar, fingir momentos de descontração com os amigos, viver horas a fio em forma virtual. E a isso... ela dava o nome de "vida"...

domingo, 26 de abril de 2009

Caleidoscópio da palavra

Conhecer, interpretar (por meio de leitura), recitar, pronunciar (o que se lê), compreender.

Quando busquei a palavra “ler” no dicionário, o fiz propositalmente. Eu já previa encontrar significados muito além do significado literal. Eu sabia, porque já descobri que ler não é pura e simplesmente passar os olhos e ver se formando palavras, frases, textos que falam. Não é apenas decodificar um idioma. E está muito longe de ser somente isso.

Ser, desde sempre, muito ligada à linguagem, à comunicação, não me tornou menos preguiçosa. Por isso, eu tenha hoje a impressão de que acordei tarde para a “dádiva” da leitura. Ainda hoje eu tenho minhas fases. Aquelas em que não consigo ler um texto de uma página até o final. É claro que isso ficou inevitavelmente quase impossível depois que ingressei no curso de jornalismo, e mais ainda quando comecei a trabalhar na área, sendo a leitura, exercício diário e ferramenta principal para o desenvolvimento das funções que já exerci e da que exerço atualmente.

Tem também, e desde sempre teve, o “empurraozão” dos meus momentos mais românticos ou ainda de profunda imersão. Eu já percebi que tenho a mania de “correr para os braços” da leitura quando me sinto triste ou solitária.

Quem tem o hábito e aprecia sabe que todos os significados para o verbo “ler” listados no início deste texto fazem jus aos inúmeros sentimentos, estados, sensações e dimensões que a leitura é capaz de nos provocar.

Ler é interpretar, muito mais do que decodificar, porque o ato de ler aciona nossa maior e mais infantil capacidade de imaginar, de ver sem os olhos, de criar, (re)criar, transformar uma realidade. Uma estória contada em texto nunca é uma estória fechada, com apenas uma versão e sentido. Quem dirá são os muitos e diversos olhos que a interpretarem (lendo-a).

Ler é a capacidade de “dar pitacos” na narrativa de outra autoria, de criar detalhes não dados, de ter sensações não intencionadas.

Ler é saciar a alma. E muitas vezes é o único alimento capaz de saciar esse tipo de fome. Leitura pode ser transformação. Um livro pode, como já o fez inúmeras vezes, mudar o curso de uma vida, mostrar verdades não vistas, quebrar paradigmas, provocar mudança de atitude perante o mundo.

Ler não é só, mas também, conhecer. Ler é esvaziar-se de preconceitos. É encher-se de tolerância e bom ânimo. É mandar embora a descrença. É tomar posse da fé. Porque não se pode experimentar “tudo isso” que a leitura proporciona, sem acreditar no seu poder!

Compreender, “descompreender” e buscar, revirar, vasculhar, excitar, convencer, falar, olhar, sentir, amar, transpor, aprender, “desaprender”, apreender, “desapreender”, provar, suscitar. São tantos, tantos verbos que cabem dentro do verbo “ler”. Tão grandioso em sua singeleza!



PS 1.: Texto escrito especialmente para o concurso do blog Alquimia do Verbo (http://republicadasletras.zip.net/arch2009-02-08_2009-02-14.html#2009_02-08_19_00_52-2630277-0), em fevereiro.

PS 2.: Vivi e Rafa, "perfeito"! Acho que esta palavra pode sintetizar o dia de ontem! Parabéns pelo casamento! Felicidade é pouco diante do que meu coração deseja a vocês nesta nova etapa, tão linda, da vida! Vivi, preciso registrar aqui o que te disse várias vezes ontem, seu sorriso irradiava luz de tanta alegria. Obrigada pela amizade preciosa que me proporcionou fazer parte disso! Te amo!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fonte de amor!

Você é assim...
essa luz, esse som
que me anuncia o amanhã.

Você é assim...
essas mãos, esse coração
sempre pronto
não importa quanto, onde ou quando.

Você é assim...
Essa dádiva, esse dom
presença de Deus em forma de amor.

Você é assim...
Essa necessária educação
imprescindível repreensão
quando minha teimosia prefere o erro
e sua entrega é o querer errar em meu lugar
pro meu aprender não ser sangrar.

Você é tudo isso de importante...
meu norte, meu chão, meu porto e esconderijo.

É minha direção...
sacrifício, experiência, sabedoria, minha inteligência.

É espelho, referência, é consolo, esperança...
porque quando eu olho pra você naqueles dias de não entender
sei que ainda há chances pra mim.

Recomeçar é o significado de ter você por perto sempre...
tanto
que eu queria que fosse pra sempre!

E sou tão grata pelo perdão
pela doação incomensurável
pelo amor que eu aprecio e necessito que seja incondicional
porque sou tantas vezes tudo que você não é
e tantas outras não sou o que você é.

E sou plenamente feliz por mais uma passagem contigo!

Sua saúde é o brinde deste dia...
sua felicidade o desejo da minha alma
e que seja assim
essa presença por mais longos anos
por tempos indefiníveis
porque pela eternidade se arrastará certamente
O meu amor por você,
MÃE!

FELIZ ANIVERSÁRIO!

PS.: O aniversário foi há mais de um mês (18/03) e, por algum desses motivos sobrenaturais de tão sem explicação, ela não leu isso... ainda... e nem ninguém o tinha feito até agora... rs! Ficou aqui perdido entre as pérolas armazenadas pelo meu fiel amigo, o meu computador... e achei digno expressar tanto amor neste humilde canto particular - privado - público...!

Pra dentro...

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem...

Quem muito se evita, se convive!

João Guimarães Rosa

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Do beijo...

Quando do primeiro beijo, línguas nervosas se atrapalhavam, meio desajeitadas, um pouco ansiosas... aflitas, tentavam compor um ritmo compassado no espaço da união das duas bocas... As mãos tímidas buscavam carinhos inibidos e passavam rápidas por cabelos, nucas, rostos, pescoços... e entre ofegadas e rotações de cabeça os dois foram encontrando o tempo, o passo, o descompasso, o jeito, o sabor, a respiração, os toques, as guinadas, os puxões, as carícias... e tudo foi entrando nos eixos...

Quando do último beijo os eixos se perdiam deliciosamente entre sucções e mordiscadelas de lábios e línguas... entre respirações que iam do ofegar à calmaria, entre hálitos que se entrecortavam em provocações e mãos que já sabiam onde e quando pousarem, deslizarem, apalparem, puxarem, acarinharem... o bailar era sutilmente sincronizado e vorazmente faminto de tempos em tempos... e os sons de gemidos e suspiros se misturavam aos estalinhos ardidos e maliciosos do contato de mucosas, faces... existências...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Porque a angústia, meu amor, é essa tristeza sem rosto, sem acontecimento, sem desencadeador, sem réu. É de repente não caber em lugar algum e escrever esse amontoado de palavras magoadas com ninguém. Essa angústia a gente não puxa, não escolhe, ela entra na gente assim como a noite caindo lenta e definitiva. E ela aperta teu peito com toda disposição do mundo. Angústia te tira do mundo de fora, te deixa encolhido olhando pra dentro, porque não se pode apontar o dedo e nem colocar a culpa em ninguém, ela simplesmente é esse mal-estar que te faz querer mudar tudo de lugar e se fazer alguns ajustes. Você não vai conseguir sequer fingir que está bem se ela te abraçar. Angústia te deixa enfastiado com a própria rotina, com o seu jeito antigo de conduzir as coisas. Ela te pede morte e renovação. Ela te impõe uma perda irremediável do que você era antes, ela te força a trocar de pele como se você tivesse tomado muito sol... sem proteção. O que a angústia quer de você é a desaceleração pra parar e contemplar e agir de acordo com o que pede a tua sede de alma...
Ela vem pra gritar aquilo que seu coração sussurrou tantas vezes num momento em que você pensava estar ocupado demais para ouvir.

Marla de Queiroz

Estupro-me...

E este vazio aqui dentro eu conheço... é de outros carnavais! Temos caminhado lado a lado há tempos... muitas vezes sem nos perceber um ao outro... ou fazendo que não... mas já nos tornamos bem íntimos... e da intimidade nasce o auto e o outro conhecimento. Também é de outrora essa consciência... antiga... quase óbvia... de que eu passo o tempo buscando, chamando, clamando, suplicando... na tentativa de tapar essa lacuna aberta que há na minha alma. Eu notei há muito tempo que falta uma parte bastante considerável de mim... e também já percebi que tenho feito escolhas tão banais, quase paliativas... porque talvez eu nem saiba o que é de fato... ou é provável que sim... mas é tão grandioso... exige tanto de mim! Às vezes me dá uma vontade quase visceral de voltar à infância... ser criança era ser feliz... genuinamente feliz sem a consciência de perda que me persegue... e eu nem me lembro do momento exato em que deixei isso pelo caminho... Eu olho nos olhos de outros alguéns procurando pelo reflexo dos meus próprios e não têm sido raras as vezes em que a imagem de repente refletida some do meu campo de visão... como vertigem... feito ilusão... e eu fico ali... parada... com os braços estendidos em direção ao nada... as mãos vazias e os olhos chorosos... mais uma vez... Porque enquanto eu buscar a mim mesma no outro vou ter sempre essa sensação de perda desastrosa... de frustração triste e trágica... eu já sei! Quase sempre eu tenho pensado que aprendi... com freqüência me toma um sentimento de maturidade e autorespeito, que eu até acredito que enfim encontrei a estrada certa... Mas como uma desmemoriada eu me pego fazendo tudo igual... vendo fadas onde elas não existem... enxergando estrelas nas trevas e possibilidades no túnel sem passagem... e tenho me exposto tanto e de maneira tão vil... me desnudado em local público... Eu tenho aberto os meus tesouros a piratas sórdidos que nem ao menos são capazes de avaliar qualquer riqueza... e sem o menor pudor tenho me dado... a violentar-me! E estou tão cansada... sim... cansada de tudo a que tenho me resumido... meus versos cada vez mais sintetizados e minha poesia abreviada em falta de razão de ser... e às vezes eu tenho certeza absoluta de saber o caminho que me levará a novas paisagens, visuais desconhecidos e necessários... mas descobri que sou tão insanamente autopiedosa e frágil... não... fraca... é insolente essa minha inércia conformada!

domingo, 19 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Oras...!

(((Triiimmm)))

- Bom dia!

- Olá! Eu gostaria de marcar uma hora, por favor!

- Sim, claro! Que horário você prefere?

- Humm... pra mim é melhor no período da tarde... tem?!

- Deixe-me ver... sim... tenho na próxima semana, às 17 horas, tudo bem pra vc?

- Sim, está ótimo!

- Agendado então, próxima semana, 17 horas... com a VIDA... venha munida de documento de identidade, sim...?!

- Ok. Obrigada!



E a VIDA tem dia e hora pra acontecer...?!

domingo, 12 de abril de 2009

...

Porque quando ele sorriu, aquele sorriso largo, aquele sorriso dela... só dela..., o sorriso de menino que ela tanto gostava, toda a tristeza se iluminou por um segundo e restou somente a sensação de que eram os dois, só eles ali naquele espaço permeado por outros olhares, outras conversas, burburinhos alheios ao que eles sentiam... só eles..., e os dois se entendiam no olhar. Ele percebeu a transformação da expressão do rosto dela e o olhar doce que ela lançava pra ele agora, e como resposta o sorriso se tornou menos inocente e mais perspicaz, menos infantil e mais malicioso, e no entanto ainda tinha ali a sagacidade do menino homem que confundia todos os instintos emocionais da mulher moça...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

New visu

A ideia era um layout persô pra ser inaugurado no dia 27 de março quando o blog completou 3 meses de vida. Eu tinha pensado numa brincadeira do tipo: 3 meses, tempo de experiência vencido, cara nova e permanente... Mas, minha designer preferida (Aline Vieira) tá com a agenda cheinha e não conseguimos terminar a tempo, além do que eu também ganhei um presentinho de outra fofura (Camila Caringe), este topo lindinho aí! Pois é... cansei dos laçarotes e hoje resolvi experimentar alguma coisa meio que temporária... Eu queria ter tentado com o outro, Ca, mas não gostei da inscrição... entonces... e pode até ser que fique com esse "visusinho"... curti! O que acharam?! Li e Ca, obrigada pelo carinho! Amo vocês!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Idiotice... idiotando...

Hoje me senti uma completa idiota!
Alimentei sentimentos idiotas e desejos mais idiotas ainda, criei expectativas idiotas, fantasiei ilusões idiotas, tive vontade de fazer uma coisa idiota, num impulso repentino idiota tomei uma decisão idiota, cheguei com ar de idiota carregando nas mãos uma intenção idiota, fiz um convite idiota, recebi um não que me fez sentir uma perfeita idiota e saí com cara de idiota!
Sim, muito mais do que a do dia-a-dia... muito mais!
E depois de momentos de raiva idiotas, pisadas duras, solavancos, bufadas e lágrimas idiotas, eu concluí, que muito antes do que eu supunha, fiz de novo papel de idiota.
E talvez tudo seja tão idiota que agora eu me pergunto o por que de minhas palavras idiotas aqui! Aliás, pra que palavras?
Eu as amo com a minha alma, mas não construirei nada concreto sobre elas?! Eu sei disso... e sempre me sinto uma idiota quando as levo a sério demais?! Então por que eu ainda me deixo levar?!
Por que pra mim sempre são mais importantes os atos - cenários construídos com palavras que se transformam em cenas da vida real num instante...?!
Será que foi isso que eu tentei fazer hoje, mesmo que inconscientemente, e me senti completamente idiota quando notei que os cenários eram deveras mais valiosos?!
Valores invertidos...
Que idiota...!!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

É hora...

Parecia mesmo que este dia nunca ia chegar! Eu não via a menor possibilidade de ser acometida por esta decisão tão digna... tão necessária! Uma “chacoalhada”, um “sacolejo”, uma bronca tecida com sensibilidade, mas sem meias palavras, com tantas palavras, aliás, duras, no entanto medidas, de quem fala com propriedade de amor, amizade e por missão, depois de tantas outras, muitas, hoje me fizeram entender. Eu compreendi! E todos sabem da minha crença no amor desmedido, sem fronteiras e inconseqüente, incondicional... você sabe... eu o fiz saber nos últimos meses sem que ao menos nem me conhecesse tão bem! Eu “taquei na sua cara”, quis “enfiar goela abaixo”, e ainda sinto um resquício de dor latejante por tanta indiferença como “resposta”. Ainda hoje, depois de tecer perfeitamente o cenário cruel da realidade a que me submeti, eu me lamentei pela última vez. Me lamentei por sermos e (re)agirmos de formas tão diferentes diante do amor derramado sobre nossas cabeças. Mas agora eu não sei quem sai perdendo, quem sai ganhando, quem está certo ou quem está errado, quem deixaria menos danos. Eu não pedi pra amar, ninguém pede, você não clamou por mim, mas o amor se debruçou na janela pra nos espiar, e espiou, tanto, que expiou... não expirou, mas sua convicção sim! Estou tão absolutamente convencida em seguir o conselho tão feliz de Clarice... tanto, sem “forçar barra” alguma... diante da consciência de tudo ter feito pra ter seu amor, é hora de partir, de desistir, minha última e única alternativa, não fazer mais nada. Eu entendi de uma vez com tanta presença física que não quero seu amor, não assim, não este, não pra mim, mas por mim, e compreendo agora o que estava tentando fazer, em vão, meu Deus, porque o que eu lutava pra ter não se tem assim, e o que poderia ter tido está bem longe de ser o que eu quero ou tenho direito. Eu não vou ficar mais à deriva... me desculpe, não vou mais permanecer à beira da mesa esperando pelas migalhas que caem, quero e tenho todo direito ao banquete. Eu não o julgo, mas o condeno por tuas escolhas, não pelo desamor, mas pela maneira que escolheu para negar o meu... foi infeliz, fez “pouco caso”, deu pouca importância a algo e a alguém que, na minha humilde opinião, você devia mais atenção. Diante do amor tão lindo que me foi oferecido há pouco tempo, eu tomei a única decisão que poderia, negar a mim mesma por me considerar indigna. Você não teve que fazer isso, tenho certeza, ou não seria tão cruelmente inerte diante de meus apelos apaixonados e escandalosos. Você não escolheu isso, não sentir, não corresponder, mas é totalmente responsável por ter sido escolhido pelo meu coração e absolutamente também pela escolha da forma de fazer isso, o descaso que me trouxe tanta dor. E não me ocorre agora nenhum resquício de arrependimento por ter apagado, deletado, varrido qualquer rastro "imaginário" de minha passagem por sua vida como você fez com a sua pela minha. Ao contrário do que você possa pensar se ler estas linhas, ao contrário até mesmo do que eu pensaria horas antes, a decisão tem sempre um quê de alívio, e é assim que eu chamo o que estou sentindo agora. Se algum dia a realidade for diferente, sem rancor ou infantilidade, eu duvido muito que isso desperte em mim a vontade de vê-lo de novo. Eu não quero olhar mais para alguém que me fez sentir tão imensamente pequena diante do amor que sempre me fez sentir tão forte e grande, em qualquer que fossem as circunstâncias, sempre me deu tanto. Eu lamento, mas ele é mais importante pra mim do que você agora e não me permito ser marcada desta forma, porque quero continuar tão perto da poesia quanto posso estar, e não te perdoo por ter tentado nos separar... Me dei a permissão de (te) escrever pela última vez, não porque eu pretenda matar a poesia que brota, mas porque quero algum carinho daqui pra frente, algum afago, então me recuso ao modo como me fere e me rasga falar de amor a você quando tu preferes silenciar a compartilhar. Posto aqui as últimas inspirações que suaram pela minha pele com o calor do amor que tanto me consumiu como quem deposita flores sobre o túmulo e sai com o rosto úmido em direção ao vento pra que este se encarregue da umidade, pra que este traga novos tempos, novas possibilidades. Qualquer pessoa tem direito a enterrar seus mortos, e eu não sou diferente!



Minha saudade é um pouco como sua inércia: resiste à súplica do tempo e ao apelo dos fatos...



E esse teu silêncio demasiado (desprezo)
Faz nossa história
Aquela que vivemos
A que um dia foi
E que houve mesmo
Parecer flashes de um sonho amanhecido
Um conto
Romance de livro
Uma quimera
Devaneio da alma
Mas não o foi
Não que não pra mim
Mas não o foi
Tu sabes
Eu sei que sabes
E tua sensação quase física aqui
A lembrança da tua voz
Ainda posso escutar o timbre
Basta fechar os olhos pra não notar a ausência de ti
E o teu cheiro em minhas narinas
O peso dos teus braços nos nossos abraços
A textura dos lábios
Das línguas
O hálito
São minhas testemunhas
Minhas
Nossas
Então podes permanecer inerte
Me feres
Mas não o julgo errado
Eu talvez fizesse o mesmo
Se não pudesse desfrutar do intangível à memória do desamor



Tudo o que eu queria
Um carinho, um chamego
Tudo a que me atreveria
Minhas mãos entrelaçadas nas tuas
Um cafuné em tua nuca, na raiz de teus cabelos
Lisos, grossos, negros
Herança genética forte, histórica, indígena
A ponta do nariz mais lindo
Sim, é lindo, teimoso que és teimava sempre em dizer que não
Com a do meu, acarinhar desejaria
E beijar teus lábios com ternura
Seduzindo-te com o bailar de meu pescoço e o roçar de minha língua no teu lábio quente e macio
Um abraço apertado eu ansiaria
Envolvendo teu tronco grandioso com meus braços pequeninos
Acariciando tuas costas morenas e convidativas
Pensaria em teus olhos mansos e lembraria logo do sorriso largo de menino
E contornaria um meio sorriso em meu rosto com o barulho encantador de tua risada
Eu queria tanto te ter aqui
Hoje eu queria
Tenho ardido no mesmo desejo há tempos
E nem sei o que andas fazendo
Teu silêncio não calou minha paixão como eu pensei que pudesse
Ao contrário a distância faz tudo ficar maior do que talvez seja
Porque tu és a minha última referência de amar
E eu continuo apaixonada
E fiquei pensando se sentiria tudo isso de novo algum dia
Porque pensando bem, eu temia admitir que bem provável é que eu nunca sentira igual
E um buraco oco se abre em meu peito e dilacera meu corpo com uma dor alucinante quando eu deixo de olhar para tua lembrança com a quimera de um dia te ter aqui de novo
Concluo que é impossível
Porque tua inércia insiste em me olhar na cara
Talvez por piedade da minha insistência e miséria
Eu não consigo acreditar que não fui capaz de provocar nem sequer um fio de curiosidade ou comoção com meus pedidos de clemência
E que tenha mesmo te assustado com meu amor fulminante
E confesso que estou também admirada com este doido
Que não me deixa a custa alguma
Quando tudo que eu quero agora, eu juro
É deixar-me em paz
Devolvendo tudo que deixastes aqui
Não quero mais!
Te querer
Dói demais!



PS.: Você é um outro alguém que me fez sentir tudo ao contrário. Chorei hoje ao ler as últimas palavras que me deixastes por aqui. Sei que não tenho o direito de te provocar sensações ainda mais turbulentas, mas é importante pra mim que tu saibas que minha decisão não mudou os sentimentos, as vontades e as faltas, porque você ainda me desperta tudo igual, e como bem disse ontem, tudo “aumentado”... pela distância. Por isso falo em “negar-me a mim mesma”... Por isso eu não escolhi e não escolho o “descaso”, mas não me atrevo a ferir-te ainda mais com alguma confusão... e como não sei lidar com a sensação de perda... fico daqui olhando pra tudo que sei que vais sentir quando encontrar alguém que tenha certeza e coragem suficientes para a grandeza de teus sentimentos, e sou feliz só de pensar o quanto isso te fará bem! Te amei e te amo de alguma forma desconhecida e estranha a nós dois... meu coração e eu!

terça-feira, 7 de abril de 2009

(Re)leituras...

Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.

Caio Fernando Abreu

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Traduzindo...

Procurando poesia só pra desenhar a tristeza que veio morar em mim hoje, porque eu precisava mostrar pra todo mundo o que na verdade eu queria é mostrar pra mim mesma em uma embalagem fina com o laço mais lindo e vermelho, eu corri sem pestanejar praquela que hoje é certamente a minha folha de papel repleta quando as palavras insistem em ficar encaramujadas na minha caneta... Marlinha, não duvides que te amo com toda intensidade poética! E meu rosto ainda está úmido enquanto colo aqui a poesia que pela primeira vez arrancou lágrimas além dos suspiros, gemidos e palpitações de costume!



TALVEZ

... Talvez a verdadeira intimidade eu só tenha buscado com as palavras. E eu me entupi delas no momento em que poderia estar aprendendo alguma coisa com alguém. Talvez eu aprenda a ser mais silenciosa; a usar palavras menos aflitas, a falar mais com o olhar. Porque me entupindo de palavras eu me defendo cuspindo-as em alguém que tente uma aproximação.

Faço um muro de palavras entre mim e as pessoas. Sou autoexplicativa só pra confundir.

Talvez eu tenha nascido para uma vida desapaixonada e culta. Talvez eu nunca tenha olhado verdadeiramente o outro; e só tenha visto o texto pronto que criei acreditando nele. Talvez eu não conheça o que julgava ter acesso cognitivo. E isso me entupiu de certezas que eu não soube abandonar ao longo do caminho.

Uso palavras para não sofrer, para plagiar uma dor, pra fingir que sou leve e que está tudo bem. Uso palavras pra falar de uma chuva que talvez eu não conheça porque não me permiti ficar encharcada dela. E ela virou a metáfora de um relacionamento_ o que pode ser tristemente poético.

Talvez eu só tenha sentido saudade pra falar de outras coisas. Pra usar a palavra "saudade" mesmo, que eu adoro. Acho que estou muito cansada. Falei demais das coisas e , no entanto, não toquei verdadeiramente em nada. Observei e descrevi, cheia de filtros semânticos. Dentro da minha limitação eu interpretei o Universo para que eu coubesse nele, em mim. E alienei as pessoas dentro de conceitos. E arranjei um sentimento pra cada coisa. E pensei que assim, tudo estaria em ordem, sob controle.

Eu que me julgava não julgadora, me considerava livre, agora tendo que empurrar as grades dessa prisão de certezas que criei pra mim. Sem poder culpar ninguém. Usando um discurso de alguém que não quer magoar o outro pra descobrir que no fundo só me importei comigo mesma e com os meus medos. Não deixei que o outro experimentasse o que havia de melhor ou de pior em mim. Não deixei que ele escolhesse.Mantive o muro de palavras e o meu discurso pronto pra continuar a salvo do outro lado. Eu que sempre falei de pontes...

Talvez eu seja uma farsa. Talvez eu seja virtualmente inacessível. Alguém que se entope de adjetivos pra entender as coisas e dizer que não se preocupa em entender nada. Eu que sempre falei de amor, não amei o outro em toda a dimensão da pessoa que ele é. Talvez eu tenha me preocupado mais com as vírgulas que não usei nas cartas de amor que escrevi que com as pessoas que as receberam e que se julgaram amadas. Talvez eu só tenha dançado pra fingir que gostava de música. Talvez eu só tenha bebido pra fazer parte de um círculo social. Talvez eu só tenha aceitado certas coisas pra poder ser chamada de amiga_ e usei levianamente a palavra amizade.Talvez eu tenha me apaixonado diversas vezes pra fazer parte do círculo de pessoas que sorriem diferente porque estão amando_ e sofri as carências que intercalam as paixões como se fossem reais. Talvez eu tenha rompido relações pra escrever cartas de despedida e mostrar como eu dominava a dor ao escrevê-la. Talvez eu só tenha experimentado as relações dentro da literatura.

Acho que estou realmente cansada. Falei demais sobre tudo e continuo no escuro. E a minha recusa em tocar nas coisas me impede de sair tateando em direção à luz. E mais uma vez eu uso palavras pra tentar me defender de algo, de mim.Talvez eu precise parar de ler Clarice Lispector... Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito. Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto: que preciso silenciar.

Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar... E usar a palavra "talvez" pode ser o início do abandono de tantas certezas; o início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei".

Talvez isso seja um começo de alguma coisa;
Talvez isso seja um fim.
Talvez sejam apenas hormônios do período menstrual...
Mas isso tudo se parece muito com tristeza...
EU NÃO SEI.

Marla de Queiroz
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