domingo, 26 de abril de 2009

Caleidoscópio da palavra

Conhecer, interpretar (por meio de leitura), recitar, pronunciar (o que se lê), compreender.

Quando busquei a palavra “ler” no dicionário, o fiz propositalmente. Eu já previa encontrar significados muito além do significado literal. Eu sabia, porque já descobri que ler não é pura e simplesmente passar os olhos e ver se formando palavras, frases, textos que falam. Não é apenas decodificar um idioma. E está muito longe de ser somente isso.

Ser, desde sempre, muito ligada à linguagem, à comunicação, não me tornou menos preguiçosa. Por isso, eu tenha hoje a impressão de que acordei tarde para a “dádiva” da leitura. Ainda hoje eu tenho minhas fases. Aquelas em que não consigo ler um texto de uma página até o final. É claro que isso ficou inevitavelmente quase impossível depois que ingressei no curso de jornalismo, e mais ainda quando comecei a trabalhar na área, sendo a leitura, exercício diário e ferramenta principal para o desenvolvimento das funções que já exerci e da que exerço atualmente.

Tem também, e desde sempre teve, o “empurraozão” dos meus momentos mais românticos ou ainda de profunda imersão. Eu já percebi que tenho a mania de “correr para os braços” da leitura quando me sinto triste ou solitária.

Quem tem o hábito e aprecia sabe que todos os significados para o verbo “ler” listados no início deste texto fazem jus aos inúmeros sentimentos, estados, sensações e dimensões que a leitura é capaz de nos provocar.

Ler é interpretar, muito mais do que decodificar, porque o ato de ler aciona nossa maior e mais infantil capacidade de imaginar, de ver sem os olhos, de criar, (re)criar, transformar uma realidade. Uma estória contada em texto nunca é uma estória fechada, com apenas uma versão e sentido. Quem dirá são os muitos e diversos olhos que a interpretarem (lendo-a).

Ler é a capacidade de “dar pitacos” na narrativa de outra autoria, de criar detalhes não dados, de ter sensações não intencionadas.

Ler é saciar a alma. E muitas vezes é o único alimento capaz de saciar esse tipo de fome. Leitura pode ser transformação. Um livro pode, como já o fez inúmeras vezes, mudar o curso de uma vida, mostrar verdades não vistas, quebrar paradigmas, provocar mudança de atitude perante o mundo.

Ler não é só, mas também, conhecer. Ler é esvaziar-se de preconceitos. É encher-se de tolerância e bom ânimo. É mandar embora a descrença. É tomar posse da fé. Porque não se pode experimentar “tudo isso” que a leitura proporciona, sem acreditar no seu poder!

Compreender, “descompreender” e buscar, revirar, vasculhar, excitar, convencer, falar, olhar, sentir, amar, transpor, aprender, “desaprender”, apreender, “desapreender”, provar, suscitar. São tantos, tantos verbos que cabem dentro do verbo “ler”. Tão grandioso em sua singeleza!



PS 1.: Texto escrito especialmente para o concurso do blog Alquimia do Verbo (http://republicadasletras.zip.net/arch2009-02-08_2009-02-14.html#2009_02-08_19_00_52-2630277-0), em fevereiro.

PS 2.: Vivi e Rafa, "perfeito"! Acho que esta palavra pode sintetizar o dia de ontem! Parabéns pelo casamento! Felicidade é pouco diante do que meu coração deseja a vocês nesta nova etapa, tão linda, da vida! Vivi, preciso registrar aqui o que te disse várias vezes ontem, seu sorriso irradiava luz de tanta alegria. Obrigada pela amizade preciosa que me proporcionou fazer parte disso! Te amo!!!

6 comentários:

Camila Caringe disse...

Ah... você lê?
Isso explica muitas coisas.

Eu estou nesta página da Alquimia!
Immplicíta naquela parte que diz "Quem lê fica mais sexy".

Os noivos?
Pfffff...
Pateticamente lindos. rsrs

E nós? Inebriadas de deslumbre com a emoção alheia que se convertia em nossa.

.::Li Hormigo::. disse...

Ler é simplesmente essencial, não??
Quero ver as fotos, não esquece!!! rs
Beijos =)

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Amanda! Honestamente, eu nunca vi uma dissertação tão completa e tão minusciosa da palavra "LER", como esta que acabei de "LER". O inesquecível Monteiro Lobato disse: "O homem que "LER" vale mais!" "LER" pra mim já virou mania, até porque, iniciei minha carreira profissional como vendedor de livros, e, como todo bom vendedor tem que conhecer o produto que vende, já viu, obrigatoriamente eu tinha que "LER" todos. Ah! Gostei do "aprender e "desaprender" e do "apreender" e desapreender".

Perdoe-me pelas baboseiras, é que estava passeando, avistei teu espaço, gostei e não resistí.

Abraços,

Furtado.

Michelle Ribeiro disse...

Por ser filha única, desde pequena tenho os livros como companhia...e é tão bom!

Montanha disse...

Apavorou Amanda - Ler e ler - sem parar, e assim, enriquecer a nossa alma.

Belo texto!!!


Montanha

Vivian disse...

Linda, sem palavras, como sempre!!!
TE AMO AMIGA!!
By the way, texto irretocável. E como a amiga Michelle bem pontuou, os livros são os melhores amigos dos filhos únicos (e não únicos tb, claro!!)
beijocas