quarta-feira, 8 de abril de 2009

É hora...

Parecia mesmo que este dia nunca ia chegar! Eu não via a menor possibilidade de ser acometida por esta decisão tão digna... tão necessária! Uma “chacoalhada”, um “sacolejo”, uma bronca tecida com sensibilidade, mas sem meias palavras, com tantas palavras, aliás, duras, no entanto medidas, de quem fala com propriedade de amor, amizade e por missão, depois de tantas outras, muitas, hoje me fizeram entender. Eu compreendi! E todos sabem da minha crença no amor desmedido, sem fronteiras e inconseqüente, incondicional... você sabe... eu o fiz saber nos últimos meses sem que ao menos nem me conhecesse tão bem! Eu “taquei na sua cara”, quis “enfiar goela abaixo”, e ainda sinto um resquício de dor latejante por tanta indiferença como “resposta”. Ainda hoje, depois de tecer perfeitamente o cenário cruel da realidade a que me submeti, eu me lamentei pela última vez. Me lamentei por sermos e (re)agirmos de formas tão diferentes diante do amor derramado sobre nossas cabeças. Mas agora eu não sei quem sai perdendo, quem sai ganhando, quem está certo ou quem está errado, quem deixaria menos danos. Eu não pedi pra amar, ninguém pede, você não clamou por mim, mas o amor se debruçou na janela pra nos espiar, e espiou, tanto, que expiou... não expirou, mas sua convicção sim! Estou tão absolutamente convencida em seguir o conselho tão feliz de Clarice... tanto, sem “forçar barra” alguma... diante da consciência de tudo ter feito pra ter seu amor, é hora de partir, de desistir, minha última e única alternativa, não fazer mais nada. Eu entendi de uma vez com tanta presença física que não quero seu amor, não assim, não este, não pra mim, mas por mim, e compreendo agora o que estava tentando fazer, em vão, meu Deus, porque o que eu lutava pra ter não se tem assim, e o que poderia ter tido está bem longe de ser o que eu quero ou tenho direito. Eu não vou ficar mais à deriva... me desculpe, não vou mais permanecer à beira da mesa esperando pelas migalhas que caem, quero e tenho todo direito ao banquete. Eu não o julgo, mas o condeno por tuas escolhas, não pelo desamor, mas pela maneira que escolheu para negar o meu... foi infeliz, fez “pouco caso”, deu pouca importância a algo e a alguém que, na minha humilde opinião, você devia mais atenção. Diante do amor tão lindo que me foi oferecido há pouco tempo, eu tomei a única decisão que poderia, negar a mim mesma por me considerar indigna. Você não teve que fazer isso, tenho certeza, ou não seria tão cruelmente inerte diante de meus apelos apaixonados e escandalosos. Você não escolheu isso, não sentir, não corresponder, mas é totalmente responsável por ter sido escolhido pelo meu coração e absolutamente também pela escolha da forma de fazer isso, o descaso que me trouxe tanta dor. E não me ocorre agora nenhum resquício de arrependimento por ter apagado, deletado, varrido qualquer rastro "imaginário" de minha passagem por sua vida como você fez com a sua pela minha. Ao contrário do que você possa pensar se ler estas linhas, ao contrário até mesmo do que eu pensaria horas antes, a decisão tem sempre um quê de alívio, e é assim que eu chamo o que estou sentindo agora. Se algum dia a realidade for diferente, sem rancor ou infantilidade, eu duvido muito que isso desperte em mim a vontade de vê-lo de novo. Eu não quero olhar mais para alguém que me fez sentir tão imensamente pequena diante do amor que sempre me fez sentir tão forte e grande, em qualquer que fossem as circunstâncias, sempre me deu tanto. Eu lamento, mas ele é mais importante pra mim do que você agora e não me permito ser marcada desta forma, porque quero continuar tão perto da poesia quanto posso estar, e não te perdoo por ter tentado nos separar... Me dei a permissão de (te) escrever pela última vez, não porque eu pretenda matar a poesia que brota, mas porque quero algum carinho daqui pra frente, algum afago, então me recuso ao modo como me fere e me rasga falar de amor a você quando tu preferes silenciar a compartilhar. Posto aqui as últimas inspirações que suaram pela minha pele com o calor do amor que tanto me consumiu como quem deposita flores sobre o túmulo e sai com o rosto úmido em direção ao vento pra que este se encarregue da umidade, pra que este traga novos tempos, novas possibilidades. Qualquer pessoa tem direito a enterrar seus mortos, e eu não sou diferente!



Minha saudade é um pouco como sua inércia: resiste à súplica do tempo e ao apelo dos fatos...



E esse teu silêncio demasiado (desprezo)
Faz nossa história
Aquela que vivemos
A que um dia foi
E que houve mesmo
Parecer flashes de um sonho amanhecido
Um conto
Romance de livro
Uma quimera
Devaneio da alma
Mas não o foi
Não que não pra mim
Mas não o foi
Tu sabes
Eu sei que sabes
E tua sensação quase física aqui
A lembrança da tua voz
Ainda posso escutar o timbre
Basta fechar os olhos pra não notar a ausência de ti
E o teu cheiro em minhas narinas
O peso dos teus braços nos nossos abraços
A textura dos lábios
Das línguas
O hálito
São minhas testemunhas
Minhas
Nossas
Então podes permanecer inerte
Me feres
Mas não o julgo errado
Eu talvez fizesse o mesmo
Se não pudesse desfrutar do intangível à memória do desamor



Tudo o que eu queria
Um carinho, um chamego
Tudo a que me atreveria
Minhas mãos entrelaçadas nas tuas
Um cafuné em tua nuca, na raiz de teus cabelos
Lisos, grossos, negros
Herança genética forte, histórica, indígena
A ponta do nariz mais lindo
Sim, é lindo, teimoso que és teimava sempre em dizer que não
Com a do meu, acarinhar desejaria
E beijar teus lábios com ternura
Seduzindo-te com o bailar de meu pescoço e o roçar de minha língua no teu lábio quente e macio
Um abraço apertado eu ansiaria
Envolvendo teu tronco grandioso com meus braços pequeninos
Acariciando tuas costas morenas e convidativas
Pensaria em teus olhos mansos e lembraria logo do sorriso largo de menino
E contornaria um meio sorriso em meu rosto com o barulho encantador de tua risada
Eu queria tanto te ter aqui
Hoje eu queria
Tenho ardido no mesmo desejo há tempos
E nem sei o que andas fazendo
Teu silêncio não calou minha paixão como eu pensei que pudesse
Ao contrário a distância faz tudo ficar maior do que talvez seja
Porque tu és a minha última referência de amar
E eu continuo apaixonada
E fiquei pensando se sentiria tudo isso de novo algum dia
Porque pensando bem, eu temia admitir que bem provável é que eu nunca sentira igual
E um buraco oco se abre em meu peito e dilacera meu corpo com uma dor alucinante quando eu deixo de olhar para tua lembrança com a quimera de um dia te ter aqui de novo
Concluo que é impossível
Porque tua inércia insiste em me olhar na cara
Talvez por piedade da minha insistência e miséria
Eu não consigo acreditar que não fui capaz de provocar nem sequer um fio de curiosidade ou comoção com meus pedidos de clemência
E que tenha mesmo te assustado com meu amor fulminante
E confesso que estou também admirada com este doido
Que não me deixa a custa alguma
Quando tudo que eu quero agora, eu juro
É deixar-me em paz
Devolvendo tudo que deixastes aqui
Não quero mais!
Te querer
Dói demais!



PS.: Você é um outro alguém que me fez sentir tudo ao contrário. Chorei hoje ao ler as últimas palavras que me deixastes por aqui. Sei que não tenho o direito de te provocar sensações ainda mais turbulentas, mas é importante pra mim que tu saibas que minha decisão não mudou os sentimentos, as vontades e as faltas, porque você ainda me desperta tudo igual, e como bem disse ontem, tudo “aumentado”... pela distância. Por isso falo em “negar-me a mim mesma”... Por isso eu não escolhi e não escolho o “descaso”, mas não me atrevo a ferir-te ainda mais com alguma confusão... e como não sei lidar com a sensação de perda... fico daqui olhando pra tudo que sei que vais sentir quando encontrar alguém que tenha certeza e coragem suficientes para a grandeza de teus sentimentos, e sou feliz só de pensar o quanto isso te fará bem! Te amei e te amo de alguma forma desconhecida e estranha a nós dois... meu coração e eu!

7 comentários:

Iêda disse...

Caracas!!!! rs Surpreendente. Adorei cada frase. E clarice tem razão: "... Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada".
beijão

Poesia do Bem disse...

DO, LINDO E QUE LIÇÃO ME DESTE! BJS E VISITE-ME

Andressa disse...

"Você me tem fácil demais, mas não parece capaz, de cuidar do que possui..."

"Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo que eu queria fazer... o ar que eu respiro, eu sinto prazer..."

Flor, a vida é feita de mudanças, é necessário enterrar mortos para que os vivos venham se aproximar =)
Amo vc e vou estar ao seu lado sempre, pra dizer a verdade, pra brigas, sorrir, calar, mas estar SEMPRE com vc!

Total apoio... e vc vai ver como td começa a mudar...

amo t....

André disse...

Sem comentários né?!
Queria eu ter demorado apenas 6 meses para tomar essa decisão, e não 2 anos haha
Parabéns!
Amo-te que chega queimar o coração!
Bjs

Michelle Ribeiro disse...

Muito lindo o caminho que você percorreu para chegar a essa decisão. Sábia decisão. Você merece ser feliz, ser amada e ser inteira...e VAI!

Beijos minha querida!

#Eric Silva# disse...

Durante a leitura não resisti, as lágrimas rolaram novamente na frente de todos, não me importo com isso!
Sua decisão não mudou nada que sinto, já ti falei isso, eu tento lutar com esse sentimento tão grande e confuso que me possui, mas não consigo!
E a tristeza é maior por saber que poderia fazer uma pessoa tão amável e maravilhosa feliz, mas você não acreditou em nós!
Sempre acreditei...
Sinto muito por você, por mim e principalmente por nós!
Não quero desistir de um "Sentir" tão forte e intenso como esse, porque sei que ele é especial e provavelmente não sentirei novamente, você me falo que sentiria novamente, que isso é normal, mas não vejo dessa forma, talvez você porque não sabe o que sinto realmente...
E este de "descaso" não é à toa, prefiro sofrer calado do que desmoronar em teus braços e saber que sua decisão prevalece, saber que não quer viver essa história novamente, por isso prefiro morrer aos poucos em silêncio, mas não é certo, não é justo com a pessoa que amo e que é especial pra mim!
Não quero que essas sejam minha últimas palavras, se está for sua vontade, vou respeitar completamente, mas saiba que minha destruição será ainda maior...
A escolha é e sempre foi sua...

.::Li Hormigo::. disse...

Nossa...esse post ACABOU comigo...lindo demais...

"Porque tu és a minha última referência de amar
E eu continuo apaixonada"

è bem esse o espírito...

Qrida, sei que oq vc fez requer mto coragem, estou feliz por tê-lo feito....não importa se foi em 6 meses ou 10 anos....escolher a si mesma é, sempre, a melhor decisão!

Bjo