terça-feira, 21 de abril de 2009

Estupro-me...

E este vazio aqui dentro eu conheço... é de outros carnavais! Temos caminhado lado a lado há tempos... muitas vezes sem nos perceber um ao outro... ou fazendo que não... mas já nos tornamos bem íntimos... e da intimidade nasce o auto e o outro conhecimento. Também é de outrora essa consciência... antiga... quase óbvia... de que eu passo o tempo buscando, chamando, clamando, suplicando... na tentativa de tapar essa lacuna aberta que há na minha alma. Eu notei há muito tempo que falta uma parte bastante considerável de mim... e também já percebi que tenho feito escolhas tão banais, quase paliativas... porque talvez eu nem saiba o que é de fato... ou é provável que sim... mas é tão grandioso... exige tanto de mim! Às vezes me dá uma vontade quase visceral de voltar à infância... ser criança era ser feliz... genuinamente feliz sem a consciência de perda que me persegue... e eu nem me lembro do momento exato em que deixei isso pelo caminho... Eu olho nos olhos de outros alguéns procurando pelo reflexo dos meus próprios e não têm sido raras as vezes em que a imagem de repente refletida some do meu campo de visão... como vertigem... feito ilusão... e eu fico ali... parada... com os braços estendidos em direção ao nada... as mãos vazias e os olhos chorosos... mais uma vez... Porque enquanto eu buscar a mim mesma no outro vou ter sempre essa sensação de perda desastrosa... de frustração triste e trágica... eu já sei! Quase sempre eu tenho pensado que aprendi... com freqüência me toma um sentimento de maturidade e autorespeito, que eu até acredito que enfim encontrei a estrada certa... Mas como uma desmemoriada eu me pego fazendo tudo igual... vendo fadas onde elas não existem... enxergando estrelas nas trevas e possibilidades no túnel sem passagem... e tenho me exposto tanto e de maneira tão vil... me desnudado em local público... Eu tenho aberto os meus tesouros a piratas sórdidos que nem ao menos são capazes de avaliar qualquer riqueza... e sem o menor pudor tenho me dado... a violentar-me! E estou tão cansada... sim... cansada de tudo a que tenho me resumido... meus versos cada vez mais sintetizados e minha poesia abreviada em falta de razão de ser... e às vezes eu tenho certeza absoluta de saber o caminho que me levará a novas paisagens, visuais desconhecidos e necessários... mas descobri que sou tão insanamente autopiedosa e frágil... não... fraca... é insolente essa minha inércia conformada!

4 comentários:

Vivian disse...

é belo o relato do poeta. Não bela é a melancolia que está nele e toma seu ser.
Lembre-se de que você é linda por dentro e por fora e que a vida pulsa pra vc. Não tema os caminhos errados, afinal, o que é errado nessa vida? Pode te levar pra lugares bonitos...
te amo!

Iêda disse...

O coração geralmente se ilude com algo que na verdade nem faz falta, nem sabe direito o que é, porque não enxerga a vida pulsando (como a Vivian citou) para te levar à frente. A felicidade e o que há de preencher o vazio existe HOJE, está na sua frente, mas o coração desmemoriado te engana e traz tristeza. Deixa disso e vai em frente ser feliz porque vc merece. Ai o coração é que vai ser enganado pelo que pode aparecer inesperadamente e mostrar a tal felicidade que tanto procura. Cuida bem de você para vc, esquecendo o que as perdas causaram. A vida é bela, Mandy, e tá ai para ser vivida plenamente.
beijão

#Eric Silva# disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.::Li Hormigo::. disse...

Sim, "ser criança era ser feliz" sabe por que? Porque quando crianças acreditamos, temos esperança...crescemos e perdemos essa ingenuidade, endurecemos.

Minha querida, eu tb me pego milhões de vezes pensando 'por que faço isso comigo mesma, de novo, sempre?". Porque uma hora sabemos que vai dar certo..porque sabemos que para dar certo, temos de ser os primeiros a acreditar. E acreditamos em quem muitas vezes não merec a nossa fé. Mas não deixamos de tentar.

Bjosamanhãtomamoscafé