sábado, 16 de maio de 2009

Despertar...


"A arte não reproduz o que vemos.
Ela nos faz ver."
Paul Klee


Estranhamente eu sempre tive uma só resposta, pronta, quando se tratava de falar sobre as artes plásticas. Fazia questão de mostrar ao meu interlocutor o quão deveras estranha essa vertente sempre me pareceu. Eu não entendia o que alguém podia achar de interessante em se por na frente de uma tela pintada – e eu só o que sempre enxerguei foram rabiscos e formas sem sentido nem lógica alguma – em visitas a exposições e museus de arte, clássica, moderna, erudita, o que quer que fosse. E havia na minha fala um quê de arrogância porque eu tentava provar que talvez eu fosse o único ser humano da terra a ser sincera ao invés de me fazer de "intelectual da arte". Mas devo confessar que, de alguma forma inconsciente demais pra notar, isso sempre me causou certo incômodo. Como é que eu, inatamente tão ligada à sensibilidade artística, tão apaixonada pela forma criada por Deus e dada ao homem para expressar, contextualizar e se encontrar em sentimentos, emoções, vida interior, podia não ser sensível a qualquer que fosse o veículo? Logo eu que enxergo cores, nuances, pigmentos, e também tons de cinza e preto nos cenários que se constroem a partir do meu baú íntimo. E agora eu percebo que talvez eu tenha é proposto a mim mesma um desafio. E foi nesta terça que surpreendentemente eu planejei um programa pós expediente um tanto quanto "diferente". MASP. Pois não é que eu, paulistana "da gema" talvez muito mais do que tantos, nunca havia estado no museu mais famoso da cidade?! E foi assim, uma decisão dessas que nos veem como comichões. Só sei que na segunda planejei tudo e inclusive a escolha do dia da semana gratuito para a visita, assim eu uniria a ideia a minha necessidade de economizar. Pois bem! E lá estava eu, ao lado do velho amigo de aventuras e devaneios: Thi. E lá estávamos nós. Ao pé do elevador eu fiz a ele uma promessa. Me pronunciaria a respeito de minha tese tão logo saíssemos do museu. Eu não tinha dúvidas de com qual impressão sairia de lá! E tenho que admitir que a tarde foi deveras surpreendente que eu até me esqueci de cumprir a tal promessa, nem para o bem, nem para o mal. As palavras tantas que me sobravam para falar da estranheza antes me faltaram depois. Vik Muniz. Não sei se por sorte ou por destino, este é o nome do artista que quebrou meus paradigmas carcumidos. Arte contemporânea da melhor qualidade. Sensibilidade e genialidade unidas a excesso de criatividade, elegância e consciência. Timidamente boquiaberta, eu curtia cada pedacinho da exposição com uma pontada de vergonha e me perguntava: como eu pude demorar tanto tempo pra desfazer um engano tão estúpido? E a cada parede, quando já esperávamos ter sido suficientemente surpreendidos por obras absolutamente desafiadoras, nos dávamos de novo com algo ainda mais surreal. Eu poderia destrinchar neste texto com infinidade de possibilidades as características e os detalhes da exposição. Mas não me vejo no direito de fazer isso. Talvez porque além de ter visitado algo de muita qualidade artística e ter conhecido alguém realmente encantador como Vik – eu nem falei que o trabalho do caro tem como pano de fundo uma consciência responsável das mais bonitas – o que tenha realmente me marcado fora a quebra de uma impressão ignorante e primitiva. E eu nem me lembro quando, onde e por que aquela opinião se formara. O fato é que da mesma maneira tudo caiu por terra na última terça. E eu só posso comemorar! Porque em dias tão absolutamente particulares, sensíveis e estranhos, eu vivenciei um dia, e posteriormente, uma semana muito iluminada. Me senti invadida por uma enxurrada artística e uma fome violenta por olhares novos tantos, desconhecidos até então. E tem me transformado de maneira tão importante esse meu "novo" enxergar!

PS. 1: Eu não poderia, é claro, deixar de dar o serviço:

Exposição 'Vik'
Retrospectiva com 131 obras do artista plástico Vik Muniz
De 24 de abril a 12 de julho
Horário de visitação: terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Ingresso: Inteira – R$ 15,00 / Estudantes - R$ 7,00 / Menores de 10 anos e maiores de 60 anos – Gratuito
Às terças-feiras a entrada é gratuita
Local: Museu de Arte de São Paulo – MASP
Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: (11) 3251 5644
Classificação etária: livre

PS. 2: Não falei, mas o museu somente abriria seu acervo e outras exposições no fim desta semana. Isso quer dizer que uma nova visita se faz necessária e depressa, já que foi pra olhar para telas pouco mais clássicas que eu me desafiei. Mas suspeito que ainda terei muito e novas boas surpresas com estes olhos que "mais veem agora"!

Um comentário:

Iêda disse...

Que demais! rs Amei esse novo olhar! beijos