quinta-feira, 21 de maio de 2009

No caso de não haver nem começo nem fim para as nossas histórias...

E se algum dia algo te parecer superficial demais
Se as promessas forem tantas e deliciosamente convidativas
E ainda assim bater aquela estranheza, aquele não saber por que, só saber...

Se tudo for absolutamente mágico, perfeito, tanto
Mas ainda assim parecer meio fora de tempo...

Se mesmo afundada em prazer e bem estar
Você sentir fisgadas que fizerem nascer a incerteza...

Se aquela saudade lancinante numa tarde de domingo chuvosa que desperta um desejo arrebatador de sair e aparecer na frente da casa dele, nua, sem se preocupar com o que ele vai dizer porque você não vai mesmo deixar ele dizer nada antes de o beijar com toda a sede que guardou praquele momento
Te fizer sentir um medo tenso e pesado quando seu olhar for sugado de volta pro espelho através do qual você enxergava ainda a pouco a cena toda acontecendo bem na sua frente...

E se mesmo tendo certeza de que fez a melhor escolha que poderia
Se achar uma egoísta, maluca, carente e oportunista, ainda que suas atitudes tenham sido totalmente altruístas e honestas...

Isso tudo não quer dizer que você é louca, traumatizada ou psicologicamente atormentada
E nem que o seu medo de se envolver te impede de se dar uma chance de ser feliz
Talvez também não signifique só que você entendeu que alguma coisa seria roubada de ambos e tenha preferido a ambos preservar
Ou então que você não estava preparada, ou que não era pra ser ...

Pode ser que você entenda, um dia, lá na frente
Sem o pesar do ridículo clichê
Que você esteve certa o tempo todo
E que tudo o que fez valeu só porque evitou dias e dias de arrependimento sem dó nem piedade por não ter ouvido a voz experiente da madura consciência...

E um sorriso de canto vai ameaçar se desenhar no seu rosto quando você perceber tudo isso
Ainda que uma lágrima teimosa insista em lutar contra a força dos seus olhos abertos e uma pressãozinha no peito te faça remoer um passado recente

Afinal... com uma pontinha de raiva você percebeu que, sim, algumas "coisas" são superficiais demais
E não menos entristecida, que por "coisas" entende-se pessoas e sentimentos

Tudo explicado então...
Cada peça vai se retirando devagarinho em direção a seu respectivo encaixe

Cada qual com seu cada um...



E pensar que um ciúme bobo e sem lógica VOMITOU todas estas palavras...

PS 1: Eu vim aqui pra postar sobre o FORMIDÁVEL documentário Simonal - Ninguém sabe o duro que dei. Mas por que é que eu tinha que fazer meu rotineiro tour pela blogosfera antes... ?! Estas chuparam as outras todas palavras que flutuavam na minha êxtase pós-sessão-cinema. Mesmo assim não seria leal não indicar: ASSISTAM porque tá IMPERDÍVEL!

PS 2: Pela primeira vez eu quero do fundo do meu coração que você leia isso sem ao menos saber pra que e nem se você vai. No lugar das velhas dúvidas restaram absolutas confirmações pra cada uma das minhas teses. E pensar que de tudo que ouvi de você ressoa forte ainda uma coisa: "Amanda, isso é o que você gostaria que eu fizesse porque confirmaria sua teoria. Mas eu não vou. Pode ficar esperando!" E não pense que esse ciúme inesperado diz respeito aos sentimentos futuros por outros alguéns que naturalmente nos tomariam a nós dois. Não! Talvez porque nós dois sabemos que este é um dos antigos, e ele já estava bem aí, quando você teimava em "outro", e com isso quase põe os meus a perder mais uma vez... !

3 comentários:

Vivian disse...

nossa. pausa pra respirar.
estou sem palavras, completamente passada com a força desse texto-desabafo. My God.
Intensidade é com vc mesma!! nem sei o que dizer, ainda estou "absorvendo" essas palavras...

Luciano de Sálua disse...

Nenhum ciúme é são. Mas guardar o que se sente até chegar a este ponto também não é.
Amada Amanda, é como se você nadasse contra a correnteza e reclamasse disso. Todos temos escolhas, faça as suas, aí preocupe=se com as alheias. E então, qual é a sua?
Ou o ciúme te doma ou você o mata? O mundo é tão dual? Hmmmm, não sei. Não sei.

.::Li Hormigo::. disse...

Erroneamente damos a intensidade errada a certas coisas na nossa vida, não é mesmo?
Pare de pensar...já foi! ;)
Bjos!