domingo, 7 de junho de 2009

De vez em quando...

Alguma certeza
Escuta: o que te dou não é por você, mas por mim_ se tenho amor demais, eu preciso deixar derramar até que tudo escorra e que haja um total esvaziamento. E, novamente, eu me sinta plena do vazio. (Porque também preciso da purificação do não-sentir pra me entregar de novo plenamente). Não interessa se amor demais te envaidece, envaidecer-se é uma forma de não se achar merecedor, caso contrário, receberia tudo com natural tranqüilidade. Mas não é sobre você que quero falar, é sobre o amor que escorre pela ponta dos meus dedos, que me enche os olhos e a boca d água.É por esse amor que eu respiro fundamente e sinto alegria. Você é só um foco do que tenho transbordando. Nada além do não-definitivo com a sensação de eternidade. Você é a energia que sinto, um rosto desfigurado, puro movimento e luz, o que faz movimentar-me em direção ao familiar tão desconhecido. Amo para conhecer-me e tudo me escapa: o que sabia sobre mim se transforma no que ignoro, o que não havia me tornado me fascina, mas não consigo tocar se reconheço. Esse é meu processo de melhoramento: saber-me ilimitada, transitória. (Se ficares longe ou aproximar-se, o amor será o mesmo, esse outro do “pra sempre, agora”).Escuta: eu não preciso fechar os olhos para ver por dentro a profusão de cores.Eu não preciso usar palavras pra dizer da comunhão das coisas. Eu não preciso estar embriagada de um amor concreto pra ver beleza em tudo. Ele está em mim, eu estou nele e onde eu for, chegaremos juntos.Se alguém se assusta ou se comove, é ser-espelho. Sol-teu-espelho, digo.Escuta: o que te dou é meu. E isso ninguém roubará de nós.

Marla de Queiroz



Ela não sabia explicar por que, mas o fato é que a lembrança dele voltara a permear os intervalos vazios entre um clique e outro do sistema de conexão entre os seus neurônios. E na maioria das vezes a imagem era aquele sorrisão leviano e juvenil que arrancavam do peito dela uma saudade censurada.

Ela supunha que outra vez era vítima da carência abrupta que sempre a pegava de súbito e já se tornara constante em fases. Quase como a TPM, que ela sempre tivera tanto orgulho de dizer que não a vitimava, mas que nos últimos meses ela percebera deixando-a com uma vontade especial de pressionar com a força das próprias mãos a cara de alguém contra a força contrária da parede.

Fosse como fosse ela se dava ao luxo de reviver os beijinhos deliciosos que os dois se proporcionavam mutuamente naqueles dias. De como andavam de mãos dadas na rua e isso a fazia sentir uma adolescente sem nenhum resquício de vergonha de seus quase 30. Das richinhas tolas só pra ficarem se alfinetando e depois calarem as vozes com mais beijos absortos.

Mas ao final, quando a mente pousava de volta, ela sabia que a imaginação é e provavelmente sempre será o seu caminho mais florido e talvez o único que a vida lhe dera a oportunidade de trilhar até agora.

3 comentários:

.::Li::. disse...

Minha flor, vc terá ainda tantos caminhos a trilhar na vida que estas lembranças perderão a cor e o sabor ao longo dos anos!!!

*o sentir adolescente é tão boom!! =]

Bjos

.::Li::. disse...

**
e a Marla é mesmo demais...

Roberto Kamarad disse...

Ahhh...

Agora vou almoçar até mais feliz! rsrs

Beijooooos!