quinta-feira, 25 de junho de 2009

Faz de conta...

Não me envergonho do ócio completo. Nestes dias eu tenho tido tanto tempo, bem mais do que eu pediria em dias de rotina absoluta. Por vezes eu reclamei da rotina que nos esmaga e fiquei imaginando tudo que eu poderia realizar em um cenário pleno de liberdade. Nestes dias eu tenho deixado de fazer quase tudo. Não pensem que eu estou aproveitando minha licença do trabalho pra mexer no guardaroupas ou pra esvaziar os armários da cozinha e limpá-los muito bem, por dentro e por fora, antes de guardar toda a louça lavada, peça por peça. Eu também não tenho aproveitado o tempo livre pra organizar as velhas pastas e jogar fora o lixo acumulado ao longo dos últimos anos. Nem tão pouco tenho lido um livro por dia, como eu sonharia em tempos de rotina intensa. Também não escutei muitas músicas, novas, diferentes do hábito, só as mesmas canções, algumas em modo “repeat”. Eu também nem posso trocar os móveis todos da casa de lugar. Estou proibida de fazer esforços. Mas não sei se faria se pudesse. Provavelmente não. Prefiro deliciar-me no “nada para fazer”. Nenhum compromisso com horários, tarefas... nada. Meus pensamentos têm feito passeios bem inovadores, no entanto. Eles têm arriscado novos caminhos, têm mudado a rota, têm descoberto novas paisagens. Eu gosto de me perder neles por horas. Eu gosto de prestar atenção em coisinhas que passam totalmente despercebidas em dias “normais”. E é engraçado como me incomodam muitas outras coisas além das que já me incomodam normalmente. Tenho tido tanto tempo para prestar atenção que estou ficando até mais ranzinza do que de costume. O eco atrasado da TV na cozinha, por exemplo, que mesmo sintonizada no mesmo canal que a da sala, perturba minha concentração nos filmes deliciosos que tenho conhecido e revisitado. O som alto do aparelho da sala, no entanto, quando eu estou no quarto, machuca minha necessidade de silêncio, como neste exato momento. Como eu gosto do silêncio! Se eu pudesse desfrutar dele nestes dias de completo ócio então... seria perfeito! Minha rua se tornou mais barulhenta também, tenho notado. Talvez porque eu esteja mais tempo ao sabor dos sons que vêm daqui agora. Mesmo assim, tanto espaço tem me bastado. Acho que vou mudar a programação na próxima semana. Pensei em me fingir de turista no país, na cidade. Talvez eu compre um destes roteiros que nós paulistanos “da gema” nunca pegamos entre as mãos e faça passeios aparentemente banais para uma nativa. Quem sabe eu saia de casa logo após o almoço e retorne para o jantar, já que também não posso comer fora de casa. Ou quem sabe eu saia após o café da manhã e faça dois períodos de excursão pela cidade, com retorno para o almoço. Talvez eu visite museus, parques, monumentos, lugares, teatros, pessoas. Quem sabe eu me liberte mais cedo dos mimos e exigências maternas. É isso... acho que vou inventar uma nova brincadeira pra brincar de ser feliz!

3 comentários:

#Eric Silva# disse...

To precisando brincar de ser feliz...

.::Li::. disse...

Ai que inveja!!!
Bjs

Iêda disse...

E eu tô aqui contando os segundos para chegar dia 1º e poder fazer tudo isso!!!!! beijão