sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um dia depois da aspereza...

O voo da abelha

Enquanto eu tomava meu café-da-manhã, uma abelha entrou pela janela. Logo seu radar detectou o pote de mel, destampado sobre a mesa. Aprendi a comer abacaxi com canela e mel há pouco tempo, na casa de um amigo. O mel corta a acidez do abacaxi, a canela dá o aroma especial ao prato. A abelha rodeou, rodeou e parou, feito um helicóptero, próxima à boca do pote. Por certo pensou: Conheço isto aqui.

Ouvi dizer que, pelas leis da aerodinâmica, as abelhas jamais poderiam voar. Porque seu corpo é muito grande e pesado para asinhas tão miúdas. Mas elas voam assim mesmo. Sabe por que? Porque elas não sabem disso.

Gostei do abacaxi daquele jeito do amigo e no dia seguinte fui comprar mel. Na porta da loja um homem me pediu dinheiro. Contou que não podia trabalhar. Haviam lhe dito que o pé torto – seu parto, nos cafundós da Bahia, fôra complicado – o tornara incapaz.

Salpico a canela no abacaxi, de olho na pequena Apis mellifera. Brinco com ela: Adivinha o que falam sobre você.

Às vezes a gente é meio abelha: ninguém põe fé, mas voamos. Por outras, somos como o homem da loja de mel: falam que nosso pé é torto, e a gente acredita.

Lembrei de uma amiga dos tempos de colégio. Queria ser atriz de teatro. A família achava que era piada. Nem as capitais dos estados ela conseguira decorar. A última vez que nos falamos ela estava exausta. Naquele dia tinha entrevistado uma dezena de candidatos na empresa onde trabalha. Em vez do teatro, minha amiga escolheu Psicologia. Acreditara, enfim, que tinha o pé torto. E seu personagem agora era outro. Menos doce.

A pequena abelha parece ter desistido do mel. Fez alguns salamaleques aéreos e partiu. E não é que a danada voa bem?




Que sutileza, querida!

Tanta... que hoje, um dia depois de uma dureza impensada, me atrevo a trazer isso "praqui", pro aconchego do meu canto... e salpicá-lo assim... como as abelhas fazem com o pólen das flores muitas por estes campos doloridos...

Obrigada!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Anywhere you are...





P.S. 1: Existem antiguidades musicais que me renovam por dentro!

P.S. 2: Alguém acha mesmo que qualquer garoto de 13 anos canta “assim”?! FENOMENAL!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Depois de ter você...

Tem pesado sobre os meus ombros uma falta de inspiração quase irritante. Essa espera já não basta pra minha poesia que morre de inanição dia após dia. A ausência de um par de olhos, de um sorriso, de mãos que afaguem, de um instante único e preciso tem preenchido dias a fio. Eu sempre precisei de um amor para ser feliz, nunca disse o contrário. O que acontece é que eu sempre inventei a felicidade, a ludibriei muito bem até aqui. Mas em algum momento que me passou despercebido ela cresceu, e como o que é próprio a todo adulto – ou não – ela não se deixa enganar mais tão facilmente. Precisa de muito mais do que miragens e sombras. Precisa de paisagens concretas agora. Se tornou mais exigente, a danada! E por isso meus olhos, exaustos, têm arriscado de novo. É que eu não vejo a hora de experimentar versos novos, desconhecidos a essa minha capacidade de me apaixonar pelo vislumbre. Depois de ter você, talvez a poesia se faça até mesmo redundante. A poesia, que deve morar aí... atrás desse olhar que tem se escondido do meu... há tanto tempo... !

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lição de (a)mor(al)

Ele tinha um cheirinho... de menino crescido, um cheirinho de amaciante de roupas com um toque de desodorante masculino, e isso misturado ao cheiro da pele dele era simplesmente sutil.

Ele tinha um sorriso... brincalhão dolorido, um sorriso que carregava o peso do mundo, não sem equilibrá-lo trocando-o nas mãos como malabares entorpecidos.

Ele tinha as mãos mais delicadas e decididas, mãos que titubeavam quando nervosas, afagavam quando enternecidas.

Ele tinha uns sonhos bonitos, uns ideais nobres, uns desejos perdidos e umas iniciativas maduras. E tudo não combinava com aquilo. Por que será que ele não via?! Era será porque a fumaça do cigarro subia, a névoa se dispersava e tudo se embaralhava?! Não condizia o cheirinho, o sorriso, as mãos com aquele tubinho branco e fedorento.

A careta dele era feia quando fazia esforço pra sugar todo aquele lixo pra dentro, e eu me lembrava do jeito meigo e intempestivo com que ele cuidava de mim. Um cuidado quase paternal. Um cuidado que me provocava sorrisos genuínos na cara. E ele ali, naquela pose de gangster rebelde sem causa se autodestruindo não fazia o seu gênero.

Ele não se deu conta do papel a que se prestava. E eu o vi sumir quando o ônibus andou e meu sorriso com ar de reprovação se retirou...



P.S. 1: Só uma tentativa de tocar... e quem sabe convencer.

P.S. 2: Eu já deveria ter feito isso antes... obrigada de coração pelos comentários ou mesmo pelas visitas discretas. Mas saibam que cada uma das manifestações aqui me enche de uma ternura sem igual. Todas, sem demagogia, são muito importantes pra mim!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Assim...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Es(vazia)da...

A essa altura da vida eu deveria desfilar uma maturidade atraente e segura. Eu deveria contar com uma auto estima invejável, daquelas muito bem instruídas depois de várias pancadas e alguns tropeções. Mas essa tal, a auto estima, é um tanto quanto cruel demais. A gente aprende a vida toda a necessidade de nos amar, de gostar da imagem que refletimos no espelho. E eu, particularmente, não acho essa das tarefas mais fáceis. Ainda mais quando esse trabalho deveria ser feito a quatro, oito, cem mãos, e não só a duas. Não é tão fácil conquistar esse amor próprio sem o mínimo empurrãozinho. E eu ando me perguntando o que há de errado, e, se em algum lapso de consciência eu me dou conta do que, como é que a gente muda uma coisa dessas.

Eu sou toda sutileza e arco-íris, pelo menos no mais íntimo do meu ser. Mas não se engane, esse lugar não fica logo ali! Eu sou é muita carranca, sou pesada, sou cruel. Minha crueldade é tanta que é com o mundo, de dentro pra fora, quando o que eu estou tentando, talvez, é açoitar a mim própria. É essa rejeição que me rodeia, que me perturba e que grita o tempo todo essa minha falta de graça, de jeito, de beleza... E eu que sou toda beleza, se quiser. Eu que sei o bê-á-bá de trás pra frente. Eu que conheço de cor o roteiro da delicadeza, do sorriso fácil, da espontaneidade. Mas tudo isso ficou preso em algum lugar de mim a que eu perdi o acesso em algum momento lá atrás. Porque hoje talvez o que se possa enxergar aqui é tristeza, cinzas e uma pitada de desesperança. E a lei do dar e receber é mais efetiva do que eu calculava.

Essa moça afoita, que se debate por uma lufada de ar, que sangra em hemorragias de amor e poesia, só precisa é de olhos generosos que lhe deem a oportunidade de ser bonita, leve e normal. Quem é que não deseja ser normal? Eu só preciso parar de procurar. É disso que preciso. Eu só preciso de um olhar novo que se volte pra coisas mais importantes. Eu só preciso de coisas mais importantes. Eu só preciso que sejam estas coisas verdadeiramente mais importantes. Eu só preciso de olhos que revelem toda essa paisagem encoberta de nuvens e lágrimas. E esse desespero... que me sufoca!

P.S.: Nessas horas é muito fácil entender a falta que eu sinto sempre daquele sorriso dele que me proporcina tanta liberdade... !

So tonight...

Ouvir a voz dele, em alto e bom som, os fones muito bem enterrados em cada ouvido não deixando escapar uma só nota, palavra, batida ou detalhe do arranjo, é sentir uma mão gigantesca perfurar a pele e arrancar de dentro do peito toda essa angústia que se pôs bem na minha frente, com as mãos na cintura e um sorriso de sarcasmo no rosto, me perguntando se eu acredito mesmo que o sonho pode ser verdade.

E me virou as costas depois de roubar minha esperança.

E seguiu caminho como se nunca tivesse me conhecido um dia.



“Groove, let the madness in the music get to you
Life ain't so bad at all
If you live it off the wall”

terça-feira, 21 de julho de 2009

Educomunicação e Comunidade

Quando colocado como objeto de reflexão e estudo, o conceito de Educomunicação nos impele a analisar, antes de mais nada, algumas veracidades. Tanto a Educação, quanto a Comunicação, estão entre os direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completou 60 anos em 2008. Portanto, estas duas faces da Educomunicação “deveriam” ser comuns a todo/a cidadão/cidadã.

Outro ponto que se faz necessário antes do aprofundamento da discussão em torno deste tema é conceituar o termo Comunidade. Conjunto de habitantes de um mesmo local, conjunto de indivíduos com características comuns, ou ainda, conjunto de populações que habitam uma mesma área, ao mesmo tempo. É interessante como o conceito de Comunidade, além de muitas outras ideias, é capaz de remeter aos primórdios da humanidade, já que, nunca na história do mundo, o homem e a mulher viveram organizados/as de outra maneira, e ainda mais na história contemporânea essa possibilidade faz-se nula, sendo a linguagem a criadora da necessidade do/a outro/a para que se efetive a condição de ser humano. Além disso, é impossível pensar no conceito de Comunidade sem falar em Cidadania. E este também fica bastante claro na mesma Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, além dos direitos, prevê também os deveres, já que ser cidadão/cidadã é ser alguém dotado/a de ambos.

Educomunicação, portanto, é o conjunto de práticas que associa Educação a Comunicação. Conceitualmente, estes dois bens sociais que devem ser analisados e implementados exclusivamente sob a ótica do bem comum, são as duas pontas mais difundidas do enlace educomunicativo. Entretanto, é de suma importância lembrar que Educomunicação, além de Educação aliada a Comunicação, traz em sua essência também Ação, sem a qual não se consegue sair do campo conceitual.

A vertente surgiu na década de 70, invadiu o espaço midiático, a escola e hoje ganha força junto à sociedade civil organizada. Ao participarem destas organizações comprometidas com interesses sociais mais amplos, as pessoas acabam inseridas num processo de educação informal que contribui para a formação cidadã. Mais do que obtenção e difusão de conhecimento e informação junto aos meios de comunicação e às práticas comunicativas, notou-se o fenômeno da mobilização social, protagonizado pelas ONGs através deste novo profissional denominado Educomunicador. Este agente deixa de ser “emissor” e passa a ser “mediador” ou “facilitador” no processo de aprendizagem ou de conhecimento através da Comunicação, representada pelos meios, que são bens públicos.

Este novo conceito quebra a hierarquia na distribuição do saber, justamente pela conclusão de que todas as pessoas envolvidas no fluxo da informação são produtoras de conhecimento. Inclusive, a militância pela democratização da Comunicação também é fruto deste novo movimento. O objetivo é permitir que a população tenha voz enquanto comunicadora. E aí há uma transferência de lideranças, de grupos que no passado comandavam a chamada Comunicação Alternativa, para a própria sociedade. O poder de transmitir mensagens através da mídia, principalmente a de cobertura local e regional, amplia-se a novos emissores, ao mesmo tempo em que a grande mídia também é pressionada a democratizar seu espaço a temáticas de interesse público, menos mercantis e mais comunitárias.

Mas, a escola também recebeu os fluxos positivos destas mudanças de paradigmas. Não podemos esquecer, sem dúvida, do grande esforço que vem sendo feito para colocar a Educação Comunicativa a serviço da construção da Cidadania. Haja vista muitos projetos que se espalham cada vez mais pelo País com objetivos em comum: criar um ambiente de comunicação livre e participativa, inserir nas práticas educativas o estudo dos sistemas de comunicação e suas práticas de produção, transformar as relações de comunicação na escola contrariando as formas autoritárias estabelecidas, rever os conceitos tradicionais de comunicação que existem apenas para persuadir ou fazer a boa imagem dos que detêm poder e fama, estimular o aumento da auto-estima e da capacidade de expressão das pessoas, como indivíduos e como grupo.

Hoje, a referência em estudos e pesquisas em torno da Educomunicação é o Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (NCE/ECA/USP), sob a coordenação do nome que também é referência reconhecida no assunto, o Professor Doutor Ismar de Oliveira Soares. A instituição desenvolveu um importante projeto que também se tornou um dos maiores referenciais na área: o Educom.rádio, “Educomunicação pelas ondas do rádio”, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e o NCE/ECA/USP, que mudou a realidade das escolas públicas ao atingir toda a estrutura escolar: profissionais da Educação, alunos, funcionários e comunidade. Um bom exemplo da eficácia do relacionamento entre Educomunicação e Comunidade.

Outro projeto importante e que se destaca pela especificidade do trabalho com adolescentes é o Projeto/Revista Viração. Nascido em março de 2003 com o objetivo de unir jovens e adolescentes de todo o Brasil em torno de princípios como a defesa dos direitos humanos e a educação à Paz, à solidariedade entre os povos e à pluralidade étnica e racial, o projeto possui um diferencial: os Conselhos Jovens, chamados Virajovens. Eles são formados por adolescentes e jovens que se encontram uma vez por mês para avaliar a revista impressa e o portal, propor pautas e discutir a realidade brasileira e mundial. Já são 21 em todo o País. Na Viração, o/a jovem tem voz. Pode opinar, dar sugestões e colaborar produzindo e fazendo aquilo com o que se identifica: texto, foto, vídeo, ilustração etc. Sem contar os projetos múltiplos que se fazem “braços” do ramo principal que é exatamente o Projeto/Revista Viração.

O fato é que a questão da Cidadania se apresenta como a intersecção de todas as experiências no campo, sejam no espaço da educação formal (Escola), sejam as mantidas pela sociedade civil no âmbito da educação não formal (centros de cultura, sindicatos, associações de moradores etc.). A relação Comunicação/Educação tem produzido mudanças substanciais nas relações sociais e nos modos como os grupos humanos interagem. Afinal, educação significa também civilidade, educar para a sociedade, para a convivência social, para a tomada de consciência e o exercício dos direitos e deveres de todo/a cidadão/cidadã.


P.S.: Este texto foi escrito no início do ano especialmente para uma seleção de emprego. Achei conveniente postá-lo unicamente para contextualizar melhor a chamada que eu poderia ter feito apenas com o folder. Então... lá vai!


Clique na imagem para visualizar!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Doce, doce, doce...

Quando a vida era tão doce de dar enjoo...
Tão divertida de desmaiar de sono
Tão leve de sair voando em pleno pôr do dol
Tão simples de passar o dia montando a casa da Barbie
Tão inocente de não ter medo do palhaço
Tão sutil de esboçar uma linguinha de pura timidez e plenitude
Tão feliz de relembrar pra reviver!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Politicamente correto

ciúme
s. m.
1. Receio ou despeito de certos afectos alheios não serem exclusivamente para nós.

domingo, 12 de julho de 2009

... a vida é mais "anil mel chuva"...

Porque ela é das que choram sinceramente diante de qualquer cena tocante, seja de um programa de tv, seja de um filme gênero "meloso água com açúcar", seja da vida real...

Porque a ela importam mais os gestos sutis, enquanto que os espalhafatosos sempre lhe parecem um "querer se aparecer" sem mais propósitos...

Porque as palavras ditas sem cuidado a ferem "de morte", mas ela mesma, inúmeras vezes, feriu alguém assim, e quase sempre, alguém que amava muito...

Porque ela se intimida ao menor sinal de um carinho de mãe, ainda que este ameace partir dela mesma à progenitora, e então ela o guarda de volta de onde ele nunca devia ter saído...

Porque ela gosta em demasia das tardes chuvosas de domingo, mesmo sendo as que mais machucam sua solidão. Talvez ela encontre algum prazer mazoquista nisso...

Porque os pensamentos de morte lhe perturbam com alguma frequência, de tanto medo que ela tem da morte, de tanto que a apavora pensar na perda. Ela não sabe lidar com a perda, ainda que tenha a impressão de já ter nascido com ela encravada na própria existência...

Porque ela não entende como o mundo pode perder tanto tempo com coisas como guerra e miséria tendo acesso a coisas como amor e solidariedade...

Porque ela ama mais do que sua natureza própria lhe permite, como se não se lembrasse sempre que sua natureza própria é o produto dele mesmo, o amor...

Porque ela puxa esses pensamentos todos de um simples não entender de sentimentos que caem como lágrimas sobre a folha de papel...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Além do entendimento...

É difícil explicar esse tipo de amor. Terá o amor tipo, então?! Será que um sentimento como o amor cabe dentro de moldes, parâmetros ou padrões normativos? Creio que não! Aliás, tenho absoluta certeza que não! E talvez seja mais fácil estabelecer este raciocínio partindo deste princípio. Alguém disse certa vez que sentimento não se explica. Concordo! E eu não me importo de verdade com o que estabelece a vã cultura dos homens, a vã forma de comunicação estabelecida por eles, que põe o dedo em absolutamente tudo. O fato é que sentimento vai além de “achismos”. E este meu é real. Desde menina é real. E cresceu. Tanto, que a dor da perda é ainda mais real. E os moralistas cheios de padrões e parâmetros não entendem. Me perguntam como é possível amar alguém que nunca se viu pessoalmente. Com quem nunca se estabeleceu um vínculo afetivo “carnal”, “físico”. Alguém me explica, por favor, que tipo de vínculo afetivo pode ser físico?! O fato é que Michael Jackson despertou em mim um amor que não merece explicações tão pequenas. É um amor que me faz sentir seu adeus como eu sentiria se fosse um amigo presente em carne e físico. Isso porque ele inventou um jeito de disseminar amor. E já não seria muito difícil para ele que veio à Terra presenteado de dons cativantes. Mas de fato, sua principal ferramenta traduz a alma só no fato de existir: a música. Além de seu brilho próprio, Michael fez da música um veículo para espalhar a sutileza de uma alma que nunca coube nessa paranóia que chamam de MUNDO. E como não podia deixar de ser contrariou todos os moldes, parâmetros ou padrões normativos. Quem pode dizer o que é normal e o que é estranho? Quem pode julgar a maneira que cada um tem de lidar com tudo isso aqui? Quem pode duvidar do amor que eu sinto por esta pessoa que nunca fez parte da minha vida da maneira como o mundo estabelece que alguém deva se apresentar para fazer parte da vida de outro alguém, mas que sempre teve um espaço importante, muito mais do que lotes inteiros de outros vínculos. O que quero dizer é que Michael teve, tem e continua tendo de mim o mesmo amor que um dia plantou na minha alma. A mesma admiração e credibilidade que sempre lhe foram atribuídas por meu coração, porque pra ele, se fez digno. O que quero expressar aqui é um “adeus” dolorido e lamentoso de alguém que se despede de um vínculo presencial que nunca existiu, mas que trouxe o mesmo peso como se sempre tivesse estado ali. De toda a exploração mesquinha em torno da morte desta estrela linda uma coisa encheu meu coração de felicidade pesarosa. A declaração de amor corajosa e apaixonada da filha Paris talvez tenha servido para quebrar paradigmas de um instrumento com super poderes de lente de aumento que é a televisão. Porque inserido naquela voz, naquele choro contido até o limite, naquela expressão real de dor humana estava este amor genuíno e sem tamanho. E quem não pôde ser tocado por aquilo, talvez seja porque se coloque em posição de caixa pra receber o que não caberia no cosmos. Vá em paz, Michael! Onde quer que você esteja agora, minha fé me dá a possibilidade de acreditar que sua missão não terminou, simplesmente porque o amor é parte da existência até mesmo do que é invisível aos olhos da carne, baços demais, mas não aos do coração!

domingo, 5 de julho de 2009

sábado, 4 de julho de 2009

Aí...

É uma saudade assim assim. Não tem nome, nem cor, nem rosto, nem por quê. É uma saudade que preenche todo o vazio e estranhamente aumenta o tamanho do buraco. É uma sensação de não ganhar mais do que perder. De desunião mais do que separação. De não encontro mais do que solidão. É uma saudade que dói mesmo sem arder. Faz chorar mesmo na átomo da alegria mais genuína que se alcance. Mas não se alcança. E mesmo sem saber o gosto, delicia-se no não ter. E mesmo sem conhecer sabe exatamente como seria. É uma saudade que já estava aqui, e não se foi "ainda".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Espelho, espelho meu!

“... Você toma alguma decisão grandiosa sobre o que precisa fazer, ou sobre quem precisa ser, e então as circunstâncias mudam e imediatamente lhe revelam o quão pouco você sabe sobre si mesmo...”

“... Sempre fui tão fascinada por essas almas etéreas, delicadas. Sempre quis ser a moça silenciosa. Talvez, então, seja útil aceitar como fui criada e assumir plenamente a mim mesma desse jeito...”

“... Ou então, como dizia Sexto, o antigo filósofo pitagoriano: “O homem sábio é sempre semelhante a si mesmo.”

Isso não significa que eu não possa ser devota. Não significa que eu não possa ser inteiramente derrubada e soterrada pelo amor de Deus. Não significa que eu não possa servir à humanidade. Não significa que não possa melhorar a mim mesma como ser humano, aprimorando minhas virtudes e trabalhando diariamente para minimizar meus vícios. Por exemplo, nunca serei uma pessoa calada, mas isso não significa que eu não possa dar uma boa olhada nos meus hábitos de fala e alterar alguns aspectos, melhorando-os – trabalhar dentro da minha personalidade. Sim, eu gosto de falar, mas talvez não precise dizer tantos palavrões, e talvez nem sempre precise despertar o riso fácil, e talvez não precise falar sobre mim mesma de forma tão constante. Ou então, um conceito mais radical – talvez eu possa parar de interromper os outros quando eles estiverem falando. Porque, por mais que eu seja criativa no meu hábito de interromper, não consigo encontrar outra maneira de vê-lo que não: “Acho que o que estou dizendo é mais importante do que o que você está dizendo.” E não consigo encontrar outra maneira de ver isso que não: “Acho que sou mais importante do que você.” E isso precisa parar.

Todas essas mudanças seriam úteis. Mas mesmo assim, mesmo com modificações significativas nos meus hábitos de fala, provavelmente jamais serei conhecida como Aquela Mocinha Quietinha. Por mais que essa imagem seja atraente, e por mais força que eu faça. Porque precisamos ser totalmente honestos em relação a com quem estamos lidando aqui...”

Comer Rezar Amar
Elizabeth Gilbert