quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dias maus...

Cada dia que passa as coisas vão ficando mais sem sentido. Eu me sinto cada vez mais encurralada, mais triste, mais feia, mais pesada, mais errada. Em lapsos de consciência - como alguém presa num compartimento submerso que se vale de 1 cm² que se resume ao espaço da boca aberta pra puxar e soltar o ar – eu vejo uma verdade totalmente inusitada. Eu me vejo! E naquele instante breve eu sou um ser humano como outro qualquer, com seus sonhos, seus desejos, seus problemas, sua sorte, suas bênçãos... No instante seguinte, porém, lá está ela, a espada afiada apontada bem perto do meu pescoço. "O buraco é mais embaixo", mas eu nunca havia notado que era tanto. Aos 28, eu tenho a infeliz capacidade de olhar pra minha vida e perceber que algo deu errado. Me sinto mais sozinha do que alguém poderia se sentir. Me sinto incompreendida, desonesta, insana... me sinto má! Minha fé se confunde o tempo todo com uma racionalidade que eu não aprecio. Toda essa argumentação cheia de retórica e lógica é absolutamente ridícula, e ainda assim me afeta. Quem foi que determinou que a "verdade seja dita"?! Eu não preciso de arma, nem qualquer ferramenta, pra me autoflagelar. Eu faço isso com muita competência. Para tanto me basta minha mente e todo esse sentimento impuro que ela produz. Eu não conheço o caminho. Eu o vejo, mas não posso botar o primeiro pé lá pra começar a trilhá-lo. Ele é inatingível. E talvez quem me vê, quem me ouve, quem me toca, possa pensar que eu sou alguém muito desequilibrada. Uma mulher amarga, nervosa, insensível, negligente, egoísta, mesquinha, interesseira... estranha. Alguém que não apetece. Alguém de quem se quer distância ou de quem se sente pena. Adivinha. Essa sou eu. Alguém que tem obsessão por palavras bonitas pra ver se consegue embelezar a feiúra que vê/sente por dentro. Alguém que se sensibiliza com a capacidade de capturar o segundo, o detalhe, a minúcia, a riqueza de um instante, de uma paisagem, de uma fotografia, de um abraço, mas que se percebe vedada à sensação de qualquer uma dessas coisas. Alguém que não pode desfrutar do amor das pessoas, como se ele machucasse mais do que sua ausência, como se não tivesse direito ao amor. Como se fosse proibida de amar. O sofrimento cresce à medida que eu vou me percebendo como isso tudo que eu odeio ser. À medida que eu me dou conta de como sou fraca e incapaz de me dominar e fazer as coisas serem diferentes. À medida que eu alimento dentro de mim uma ingratidão que me ilude quando me faz acreditar que tudo seria diferente, melhor, mais feliz, mais bonito "se..." sem conseguir me convencer de que o "se..." não existe, e que o que é, é aqui, é ali, acolá, se isso ou se aquilo outro... Mas nada muda porque eu me mantenho parada, convicta de minha inércia diante da vida. Me pergunto... pra que então?!

P.S.: Mesmo ciente do ridículo, insisto em me prestar ao papel de me desnudar aqui por ser a minha carência maior do que a decência e a maturidade de optar por não partilhar o dia mau causando o mal estar alheio e ainda por cima esperando que alguém me jogue a corda...

3 comentários:

Virgínia Ribeiro disse...

Ei mocinha!!!
Que deprê é essa?
Bonita, a vida infelizmente não é um mar de rosas, e temos que aprender a nadar entre os espinhos sim. Mas uma coisa nos faz mais forte: temos Deus, e Ele nos ampara.

Queria estar aí para te dar um abraço!!!!

bjus e se cuida

Iêda disse...

Mandy, em horas assim temos que lembrar que a vida é bela, de verdade; e, lembre-se sempre, tudo passa, menos Deus... e somente Deus é o bastante. Lembrando isso, vc vai conseguir ver que existem outras coisas boas acontecendo ao seu redor e, por estar preocupada demais apenas com o que dói, vc não percebe.
beijos

Marcio disse...

Fala querida Amanda,
Eu também gosto de seu blog e de passar por aqui. Adoro sua sinceridade e o desabafo da sua alma. É neste desabafo que encontramos os caminhos para trilhar, as utopias para fazerem nossa caminhada. Abraços querida.
Marcio Uno - Caminhada e Missão.