domingo, 2 de agosto de 2009

Pegadas...

Era cinza. Todo ele era de um cinza triste e solitário. Aquele céu limpo, isento, azul ofuscado pelo amarelado do sol... era cinza que ela enxergava. E não porque seu peito era todo chuva e trovão naquela manhã de sábado. Mas também seus olhos baços, embaçados, eles viam o cinza com uma clareza luminosa. O frio tocava sua pele e era um arrepio novo a cada instante. E uma sensação de fraqueza, um cansaço dolorido a invadia. Ela não podia permanecer. Queria chorar, mas não havia sentido algum em derramar mais uma lágrima sequer. Essa consciência madura fazia com que ela enjoasse. Por que num momento de extrema loucura ela era impedida de se atirar no chão em pranto compulsivo? Por que tinha que ser assim tão comedida? Naquele momento, nem a voz dele, nem a presença dele, nem o olhar estupendo dele fariam com que ela sentisse algum alívio. Era uma falta de perspectiva, tamanha confusão, que ela não sabia se o dia caminharia para o pôr do sol mais uma vez. Ela não se lembrava de respirar. Por sorte, o instinto o fazia.

4 comentários:

Iêda disse...

Uau. Muito bom este texto.

Thaisinha... disse...

ainda bem que o instinto lembrava.
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ufaa.
muito bom mesmo.

Filomenas disse...

Mandy...não me canso de dizer que sou sua fã...

beijos

.::Li::. disse...

Vc descreveu o meu último sábado tão bem....

Bjs