segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Quando o prazer desafia o amor...

Além da atração entre dois corpos, existe um infinito a ser compartilhado. É quando se encontra alguém com quem se cria um espaço único onde você pode ser exatamente você. Ali você pode se desnudar, tirar as máscaras todas, mostrar a cara e a coragem, falar de saudade, solidão e do que mais gosta no sexo. Uma infinitude onde cabem todas, todas mesmo, as peculiaridades de cada um. E nas tantas diferenças nos identificamos profundamente. Onde tudo que é feio e detestável em nós e pra nós é exposto como num bazar pra descartar coisas que não se quer mais... e sempre há alguém que enxerga na velharia a beleza de uma novidade. Onde se pode rir ou chorar, ser madura ou infantil, ser responsável ou totalmente inconseqüente. Sem protocolos, sem regras, sem etiqueta, sem aparências vazias. Onde a medida pra amizade genuína, a cumplicidade explícita e o desejo mais desmedido se igualam em proporção e encontram um espaço de boa convivência. É tudo que se sente no instante de um abraço, no longínquo que se pode alcançar num beijo sem pressa, no conforto de uma conversa complexa e sem propósitos, no silêncio do caminhar de mãos dadas.

domingo, 27 de setembro de 2009

(Des)encontro

Quando o coração surpreende com descobertas de sentimentos e devolve a capacidade de sensações que, independente de quanta dor e medo causem, reafirmam a vida em nós... nisso há um quê de milagre.

Quando alguém é capaz de roubar os pensamentos todos e provocar essa angústia no peito a ponto de sufocar o ar preso na garganta... quando a saudade se define com um só nome e um par de mesmos olhos... nisso há um quê de milagre. Essas sensações sempre... sempre me devolvem a certeza de estar viva. Mais... me devolvem a sensação de vida... como se nos intervalos em que isso adormece em mim, eu estivesse exatamente assim... em estado de “não vida”.

Quando alguém desequilibra as palavras que há tempos se recusavam a sair daquele lugar recluso e tranquilo e as atira de novo pelas pontas dos meus dedos no teclado, e elas minam assim, sem qualquer restrição... nisso há um quê de milagre. Essa inspiração é tão íntima que quando se cansa de caminhar junto comigo, é como se um pedaço maior se descolasse.

Quando eu penso que experimentei tantas e distintas faces desse sentimento, ele vem e coloca sobre o meu rosto uma máscara nova. E nisso há um quê de milagre. Porque ele se prova incabível em protocolos e regras. Para ele não há fôrmas e nem formas. E é deslumbrante como ele arrebata o homem, a mulher, nós humanos, mas não se dá a conhecer a nós mesmos. Ele faz parte de nós, mas não nos serve. Talvez seja é senhor!

E mesmo agora, com esse choro contido, eu não permitirei que um lamento sequer se pronuncie por meus lábios. Desta vez, eu serei grata na plenitude de um sentimento que se revelou... tarde demais talvez, mas em tempo. Porque ele, o tal senhor, também não conhece o tempo. Os dois nunca foram apresentados. São completos estranhos.

Desencontros devem fazer parte de algum plano maior. E eu não estarei pronta para questionar nada. E essa minha mansidão de alma, esse meu conformismo embriagado... nisso há um quê de milagre.

E essa falta, esse desejo, essa esperança que a simples lembrança do teu sorriso renova em mim... nisso... nisso há um quê de milagre!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ao som da vida...

Manhã chorosa. Frio cortando a pele do rosto, recém limpa e hidratada. Nariz vermelho. Olhos semicerrados, pesados. O ponto está quase chegando. Mais um pouco e ela vai se livrar de toda aquela confusão de gente, de perfumes, de infinitos particulares. Antes de dar o sinal ela troca a música no MP4. Seleciona o botão de volume e o leva até em cima, a pino. E a vida se transforma num videoclipe. Do caminho que a leva do ponto até o prédio da empresa, ela anda conforme a música... literalmente. Os passos acompanham a batida da bateria, os batimentos, a empolgação do efeito de estalos de dedos, e os olhos criam cenas de um filme abstrato. Carros, pessoas, prédios, barulho... silêncio musical. Apenas a voz deliciosa do cantor. R&B, é claro! Não escolheria outra coisa há tempos. Dois minutos e um pouco mais são suficientes pra música rolar inteira. Como se tivesse feito especialmente praquele percurso. Quando ela pisa o primeiro degrau da escada pra adentrar pela portaria, a última nota. Ela desliga o MP4, o coloca na bolsa ao mesmo tempo em que saca o crachá. O elevador aponta no térreo. O coração está cheio... Começa mais um dia...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pausa para viver...

Daqui de dentro tudo é tão distante, tão impessoal. Daqui de dentro todos sãos estranhos, a espécie é surreal. Eu vejo gente vazia, atitudes programadas, sentimentos digitalizados. Eu sinto uma falta de sentido que estrangula o meu sentir. Daqui de dentro tudo a minha volta vai ficando pequenino, quanto mais longe eu voo, quanto mais eu me distancio. Olhando de cima é todo esse nó. De frente o nó vira pó. Nada é real, tudo é pueril. Enquanto o tempo passa dentro de uma sala repleta de ruídos sonoros, vozes tensas e diálogos protocolados, a natureza ri lá fora, o sol se atira desnudado, os animais, a vegetação, os rios e mares, todos brincam numa ciranda fechada em torno do amor. E daqui de dentro eu bato palmas, como a criança a espera do convite pra brincar.