quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Achados

Esse medo a gente não procura com as mãos. Ele brota. Invade o espaço tênue entre a racionalidade e a paixão. Deve ser porque quanto mais a gente se inclina menos a sola dos pés sente o chão e o domínio é só uma questão de fragmentos, de partículas. É que a gente vai notando que precisa mais do sorriso do que precisava no sorriso anterior. E a saudade assume formas infinitas e indefinidas como a bailarina que troca de figurino com tamanha habilidade que o tempo passa despercebido aos olhos do espectador. E a gente também se dá conta do tamanho do estrago que a falta vai fazer se se fizer. E as imperfeições próprias, elas crescem, você nem imagina, elas ganham uma força absoluta e se fazem ameaçadoras. Elas ficam insinuando que vão criar uma não tolerância. Porque a intimidade é traidora, e pode ser tão perigosa quanto proporciona cumplicidades deliciosas. Em resumo, eu olho pra fortuna que tenho nas mãos e fico achando que não vou ser hábil o bastante pra permanecer com ela. Porque no fundo eu sei que nem tenho mesmo. A fortuna é ferramenta de felicidade e prazer, ela tem que estar livre para o movimento. Mas eu tenho medo é do movimento, eu tenho medo é de não ser capaz de dançar o balé perfeito e perder o passo e o compasso.



P.S.: E o movimento do tempo põe tudo em desalinho. E o medo? Não sei. Deve estar bailando em outros carnavais!