quarta-feira, 26 de maio de 2010

Silêncio é o que me convém. Já dizia algum sábio: “Não tem o que dizer? Não diga!” Eu tenho uma porção de coisas pra dizer. Mas sabe que sentimentos precedem essa “porção”? Eu sinto um amarrado bem no meio do peito. Eu sinto uma pressão na minha cabeça. E aquela coisa engruvinhada no meio da garganta. E aquele vaco no estômago. Então, se a porção tá fazendo todo esse estrago em mim, por que eu compartilharia? Por que, se eu só abro a boca pra falar com gente querida, com gente conhecida, com gente amiga, com gente amada? As palavras são tão importantes, né?! Se todo mundo tivesse esse entendimento! É um despautério o que a palavra pode provocar. Como ela pode atingir! Eu me sinto assim, muitas vezes, espancada pela palavra. To assim hoje, tenho estado nos últimos tempos. To machucada, dolorida e maculada! Isso sem contar quantas vezes eu fiz isso com o outro. Isso sem contar o estrago que a “não-palavra” também é capaz. Se eu só quisesse amar, se eu só quisesse amor, teria que inventar outra forma de comunicar, que não a palavra. Mas daí eu já não pensaria, nem mesmo existiria. E quando a minha própria palavra me açoita? E não é que um bocado de gente já percebeu esse meu sado-masoquismo? Como se a gente pudesse expurgar a dor alucinante assim, soltando palavras a “torta e a direita”! Como se a gente pudesse transformar a morte em alguma coisa menos cruel e o amor em alguma coisa menos obscura. Como se a gente pudesse fazer da inveja um sentimento de querer tão bem que bem quisesse. Como se a gente pudesse entender melhor os pensamentos todos assim, exteriorizando fantasmas. Pior que a gente pode, acredite! De tudo que eu tenho dito nos últimos meses, só uma coisa eu tenho calado. E no fundo é o que contrapõe essa minha fome pela palavra. Porque na verdade a palavra e a vida se confundem em mim. Então, fato, a morte, essa morte dilacerante que me abraçou com o advento da partida, não encontra palavra por aqui pra se materializar. Por outro lado, é com rudeza que eu muitas vezes quero falar de amor. E fico mais é parecendo um animalzinho acuado. Tem tanta coisa fora de lugar. Tanta coisa precisando encontrar seu rumo. Tanto choro pra ser chorado, ao invés de falado. É isso! Eu não posso mais falar meu choro. E nem chorar palavras...

2 comentários:

Camila Caringe disse...

Amanda...

Eu queria que houvesse nessa vida palavra ou choro que expressasse o que eu senti com as suas palavras... Mas não há, apesar de as lágrimas estarem me beirando agora. Mas estão caladas, Amanda. Caladas.
Eu queria que milagres acontecessem todos os dias, que fossem mais comuns, que nos salvassem a alma mais vezes, tantas quantas precisamos ser salvos. E um herói nessa hora não bastaria, porque os maiores perigos vão dentro de nós, na auto-destrutividade, na falta de fé. Mas não há herói, não há milagre, não há amor às vezes... nem há solução no vôo solo.
Deixa eu recordar aqui aquele abraço nos pufs da Vira, quando você percebeu que estava sendo dura demais com alguém que eu conheço... rs...Quando é com o outro é um pecado, mas quando é com a gente mesmo é um sacrilégio...
Se releve e revele. Não se desperdice e continue falando. Uma hora dessas a gente descobre o que pensava e nem sabia antes de dizer.

E se servir, ainda que não sirva saber...
...Eu amo você, Amanda.

(snif!)

A morte tem sido um tema recorrente pra mim. Seu silêncio-palavra doeu hoje...

Iêda disse...

Mandy, mesmo sabendo e reconhecendo todos os seus sentimentos declarados ai... senti uma dor ao ler isso. Chega, vamos tentar ir à prática para mandar esse não amor embora e não sentir nada dilacerar? Que tal colocar cores e declarar-se aberta ao amor escancaradamente feliz? Vamos, bota seu sorriso no rosto e canta outras canções!
Lembra que tô sempre perto para dar força, pra chorar, mas, principalmente para gargalhar com vc e ajudar a fazer novas histórias!
beijões