quarta-feira, 28 de julho de 2010

Em alto e bom agudo!



P.S.: Quem me contar o nome da música que ela emenda no meio, aos 3:10 minutos do vídeo, ganha um beijo na bochecha! :P

quarta-feira, 21 de julho de 2010

(Comun)ic(ação)

"O que passa através da interface? Outras interfaces. As interfaces são embutidas, dobradas, amarrotadas, deformadas umas nas outras, umas pelas outras, desviadas de suas finalidades iniciais. E isto até o último invólucro, até a última pequena dobra. Mais uma vez se há conteúdo, devemos imaginá-lo como sendo feito de recipientes encaixados, aglomerados, prensados, torcidos... O interior é composto por antigas superfícies, prestes a ressurgir, mais ou menos visíveis por transparência, contribuindo para definir um meio continuamente deformável. Tanto é assim que um ator qualquer não tem nada de substancial para comunicar, mas sempre outros atores, outras interfaces a captar, deslocar, envolver, desviar, deformar, conectar, metabolizar.

A primeira interface de nosso corpo é a pele, estanque e porosa, fronteira e local de trocas, limite e contato. Mas o que esta pele envolve? No nível da cabeça, a caixa craniana. E nesta caixa? O cérebro: uma extraordinária rede de comutadores e de fios entrelaçados, eles mesmos conectados por inúmeros (neuro-) transmissores.

A função reprodutora faz com que se juntem (interfaceia) os dois sexos e constitui o corpo inteiro enquanto meio, canal ou recipiente para outros indivíduos. O aparelho circulatório: uma rede de canais. O sangue, um veículo. O coração, um trocador. Os pulmões: uma interface entre o ar e o sangue. O aparelho digestivo: um tubo, um transformador,um filtro. Enzimas, metabólicos, catalisadores, processos de codificação e decodificação moleculares. Sempre intermediários, transportadores, mensageiros. O corpo como uma imensa rede de interfaces.

A língua: uma trama infinitamente complicada onde se propagam, se dividem e se perdem as fulgurações luminosas do sentido. As palavras já são interfaces, colocadas em ressonância por uma voz, distendidas ou torcidas por um canto, estranhamente conectadas a outras palavras por um ritmo ou rimas, projetadas no espaço visual pela escrita, padronizadas, multiplicadas e colocadas em rede pelo impresso, mobilizadas, tornadas tão leves na ponta dos dedos pelo programa... vestimentas multiplamente revestidas, arrepios diversamente peturbados por outras palpitações.

Cada instante não é nada além de uma passagem entre dois instantes. Uma pletora indefinida e ruidosa de veículos, de canais, de intérpretes, e de emissários constitui o fundo do devir. Angelos: o mensageiro. Sempre polifônico e por vezes discordante, eis o coração irisado dos anjos."

Pierre Lévy
As Tecnologias da Inteligência O Futuro do Pensamento na Era da Informática
Editora 34

sábado, 17 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

É isso aí!

Eu me dou o direito de permanecer calada. Nos dou o direito do convívio menos desconfortável possível. Me dou o dever de apagar com uma borracha bem grande e definitiva essa imagem que você e todas as outras pessoas constroem de mim, ou eu mesma construo pro mundo e o mundo reflete, como um espelho, toda essa carga negativa. Eu me dou o direito de ficar magoada com isso e com tantas outras indelicadezas. Me dou o dever, no entanto, de fazer algo a respeito, porque a falta de sensibilidade é algo pavoroso pra mim, começando pela minha própria. E por isso, me dou o dever de fazer transparecer as coisas que parece, só eu mesma, e raras pessoas, podem ver aqui. Raras. A estas, eu me dou o direito do silêncio. Elas são capazes de próprias explicações. Às demais, eu me dou o dever do silêncio. Elas não precisam de qualquer palavra, julgam ter todas. A propósito, retomando o rumo desta prosa, eu me dou o dever do distanciamento, por ser esta tarefa árdua e dolorida, mas não tanto quanto uma meia proximidade, já que eu não posso estar tão perto quanto gostaria. E eu te dou assim o direito de estar no lugar onde você quer estar, na minha caixinha preciosa das amizades, aquela que contém todos os perfumes, cores, sabores e belezas inimagináveis. Caixinha valorosa, ou melhor, sem valor estimável. Eu te absolvo do dever de “descativar-me”, o tomo pra mim mesma. Já que, bem provável, foi involuntário, mas saiba, de ambas as partes. Porque eu me dou o direito de experienciar novas palpitações, e assumo os meus próprios riscos. E para tanto, me dou o direito de expurgar isso aqui, porque já deixou de ser gostoso, então não mais me serve!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ah... a gente não pode conhecer tudo na vida, a gente não pode estar em todos os lugares. É por isso que temos amigos. Para eles serem nossos olhos e nossos ouvidos, nossa vida estendida."

Camila Caringe
http://camilacaringe.blogspot.com/




segunda-feira, 12 de julho de 2010

tic-tac tic-tac tic-tac...

"Irmã": do significado ao sentido da palavra

Afora essa dor profunda, o que eu posso dizer? Que você é melhor que eu? Ou que eu tendo a ser egoísta, individualista e cruel na minha própria angústia? Eu deveria lamentar as perdas quando não sou capaz de amar quem está ao meu lado? O que eu posso dizer? Que sentir essa tremenda solidão é das coisas mais intensamente sofríveis que eu já experienciei e que mesmo assim parece que eu me recuso a sanar um pouco desse absurdo tomando a sua mão? Porque no fundo eu sei que preciso tanto de você quanto do ar pra respirar, e em momentos de devaneio terrorista eu imagino como seria não te ter aqui. E eu tenho certeza que neste dia nem eu estaria também, e se estivesse, não estaria um segundo depois por vontade própria. Você conhece a dinâmica dos últimos meses? É assim: eu ponho meu corpo e meu cérebro em movimento todos os dias pela manhã e tenho que tomar todo o cuidado do mundo pra enganar ambos porque se eles perceberem que estão vivos a despeito dessa dor dilacerante que os corta, podem se rebelar. E eu tenho me esforçado, acredite, esperando o dia em que tudo isso vai voltar a ter algum sentido. E quando mais eu colocaria em prática esse meu lado rebelde “com causa”? Você há de convir que ir além da dor pra mim sempre significou pegar o atalho da rebeldia! Como é que agora você me pede pra ser madura? Como eu posso ser mulher numa hora como essa? Como eu posso deixar de ter tanta dificuldade de dizer um “eu te amo” dos grandes na sua cara por meio de gestos se eu ainda não sei fazer isso com os lábios? É difícil acreditar, eu sei, mas isso não muda nada, e não muda o fato de que eu te amo mesmo, e de que hoje você é definitivamente o maior amor da minha vida, o maior! Me ajude então, eu peço. Com a paciência generosa que sempre foi sua marca menos berrante perto da beleza toda que te cai tão bem. Eu vou tentar, isso eu prometo! Vou tentar trazer as coisas pra mais perto de um status “normal”. Vou tentar subir no carrossel de novo, mesmo estando ele num movimento frenético e descontrolado. Eu vou trazer as coisas pra órbita, só preciso de um pouco de compaixão. E você sabe me dar isso a conta-gotas, nem muito, pra não me deixar perder o passo, nem pouco, pra me dar algum compasso. Me perdoa por cada lágrima a mais neste tempo de tanto choro. Esteja aqui, amanhã, sim?! Em todos os meus amanhãs...

sábado, 10 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É...

De um universo a outro.

É difícil mudar de casa. Sair da casca. Deixar o quentinho do cobertor. Sair do banho e alcançar a toalha. Mudanças são contrastes de estados e, por isso, doloridas. É nascer de novo sair de uma relação para o vazio. Ou para outra. É preciso coragem e ruptura. É preciso acreditar. Comum permanecermos imóveis por mais que o suportável. Sair do banho e agachar enrolado na toalha, pensando na vida. Demorar um tempo até tomar coragem pra mudar de posição. Mudar é um parto, sempre. Mesmo que o novo mundo seja melhor. Diante do universo inteiro que se anuncia novo, o de alguém que chegou de surpresa, muitas vezes nos acovardamos.


Cris Gerra
http://amoreponto.blogspot.com/