segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Irmã": do significado ao sentido da palavra

Afora essa dor profunda, o que eu posso dizer? Que você é melhor que eu? Ou que eu tendo a ser egoísta, individualista e cruel na minha própria angústia? Eu deveria lamentar as perdas quando não sou capaz de amar quem está ao meu lado? O que eu posso dizer? Que sentir essa tremenda solidão é das coisas mais intensamente sofríveis que eu já experienciei e que mesmo assim parece que eu me recuso a sanar um pouco desse absurdo tomando a sua mão? Porque no fundo eu sei que preciso tanto de você quanto do ar pra respirar, e em momentos de devaneio terrorista eu imagino como seria não te ter aqui. E eu tenho certeza que neste dia nem eu estaria também, e se estivesse, não estaria um segundo depois por vontade própria. Você conhece a dinâmica dos últimos meses? É assim: eu ponho meu corpo e meu cérebro em movimento todos os dias pela manhã e tenho que tomar todo o cuidado do mundo pra enganar ambos porque se eles perceberem que estão vivos a despeito dessa dor dilacerante que os corta, podem se rebelar. E eu tenho me esforçado, acredite, esperando o dia em que tudo isso vai voltar a ter algum sentido. E quando mais eu colocaria em prática esse meu lado rebelde “com causa”? Você há de convir que ir além da dor pra mim sempre significou pegar o atalho da rebeldia! Como é que agora você me pede pra ser madura? Como eu posso ser mulher numa hora como essa? Como eu posso deixar de ter tanta dificuldade de dizer um “eu te amo” dos grandes na sua cara por meio de gestos se eu ainda não sei fazer isso com os lábios? É difícil acreditar, eu sei, mas isso não muda nada, e não muda o fato de que eu te amo mesmo, e de que hoje você é definitivamente o maior amor da minha vida, o maior! Me ajude então, eu peço. Com a paciência generosa que sempre foi sua marca menos berrante perto da beleza toda que te cai tão bem. Eu vou tentar, isso eu prometo! Vou tentar trazer as coisas pra mais perto de um status “normal”. Vou tentar subir no carrossel de novo, mesmo estando ele num movimento frenético e descontrolado. Eu vou trazer as coisas pra órbita, só preciso de um pouco de compaixão. E você sabe me dar isso a conta-gotas, nem muito, pra não me deixar perder o passo, nem pouco, pra me dar algum compasso. Me perdoa por cada lágrima a mais neste tempo de tanto choro. Esteja aqui, amanhã, sim?! Em todos os meus amanhãs...

4 comentários:

*Livia* disse...

Psiu! Acredite mesmo que o tempo vai fazer mais este milagre, minha flor. Vc e a sua irmã vão se acertar no ritmo certo, quando tiver de ser....
(E sempre tem aquela opção do meu pai, vc sabe q ele é ótimo pra resolver esse tipo de coisa...rsrsrs)
Muitos beijos!!
*Li*

*Livia* disse...

Só mais um P.S. adoraria ser sua irmã sabia??? O bom é que a vida nos colocou juntas de outra forma....

Camila Caringe disse...

Ela perdoa. Não precisa nem pedir. Ela ama e ela fica.

Rafaela disse...

Menina... agora eu entendi porque sempre que olhava você achava que tinha MUITO mais além do que via. Que texto lindo, quanta sensibilidade... E como somos parecidas, sabia? Virei mais aqui... Beijo!