terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sua não, Minha Sorte!

Proposta para a aula de Estética das Mídias: trazer uma obra de arte. Poderia ser uma poesia, uma música, uma fotografia, um vídeo, etc, etc, etcsss.

Vi ali o momento pra trabalhar algo que é quase como uma extensão de mim. A poesia, essa arte que inebria, que clama, que sangra e que sorri, tudo numa proporção ampliada pela paixão do verbo.

A orientação da professora era para que escolhêssemos algo de que gostássemos, que falasse conosco. Entre tantos autores, poetas, filósofos e pensadores consagrados, afora aqueles nem tão consagrados assim, optei por algo mais pessoal, mais próximo de mim, muito próximo, aliás, há apenas duas mesas!

E a repercussão da exposição do texto em aula para os colegas presentes foi tão boa que a pauta virou sugestão da professora para o trabalho final! Eu disse que essa menina ia longe, eu disse! Eu mesma fiz questão de a levar pra dentro da sala de aula da pós graduação lato-sensu da USP.



Sobre quando não há ninguém, embora haja

Estamos sozinhos. Ele e eu. Eu numa ponta da sala comprida. Ele na outra. Ponta. E ponto.

Silêncio de vozes presenciais. Vozes somente dos meios. Outros, que não nossa fala muda. Barulho apenas de quem não está. Para quem compartilha, nada. Vazio e silêncio e pronto. De pronto, qualquer rascunho humano de nós ecoa.

Diferente é só o que de mim sobra quando olho o resto do ser que não é, não sente, não percebe, não esquiva nem enfrenta. Ignóbil.

Aborrecidas elas passam. E como se não bastasse, me sorriem. As horas cruéis escorregando como lágrimas. Tristeza inclusive.

Céu se abriu e explodiu. Coração rebentou feito balão no alto. O que há são sobras das sombras assombrando o presente de medo.

Ficou a pintura borrada dialogando com o nada das paredes. Eco do silêncio na bagunça do espírito.

Valentia de estar só. Acompanhado.

sábado, 21 de agosto de 2010





P.S. 1: A música é de autoria do Sr. Shaffer Chimere Smith (mais conhecido como "dono do meu coração" ou Ne-Yo mesmo...) rs!

P.S. 2: Não é que o cara é famosinho?! http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_(cantor). Já ganhou espaço na minha estante do R&B! =)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando não poderia ser diferente

Não há decisões estabanadas, nenhuma história termina no dia em que ela realmente acaba. Há sempre um desvencilhamento anterior lento, sutil.(Como quando alguém percebe que gradualmente foi perdendo o apetite na hora em que costumava sentir mais fome).Não há aquilo que poderia ser feito de outro jeito. O aprendizado incluía as decepções e os acertos de ambos os lados.E, neste ínterim, os momentos de encontro: dos sonhos, solidões ou prantos.Não há dor que se amenize usando a força momentânea da raiva.Um coração machucado precisa de silêncio e colo, não de berrar aos quatro ventos sua falsa independência. Há ruídos que maculam o que deveria ser preservado.Há que haver gratidão pela lição que vem do que não pode ser mudado. Mas há sempre a possibilidade da transmutação.Numa desilusão, esteja atento: ninguém se perde de si mesmo porque foi abandonado. Por maior que seja a luz, não deixe que a sua sombra o encubra só porque um ciclo acabou sem explicações plausíveis.Há sempre alguma coisa nova por nascer e que precisa deste espaço.Há sempre uma história mais bonita adiante.Há sempre uma forma mais saudável de lidar com sua dor. E recriar o seu destino, tentar se harmonizar com as decisões do outro sem trazer para si as incompletudes dele, é uma forma bem mais interessante de sentir amor.

Marla de Queiroz
http://doidademarluquices.blogspot.com/2009/06/quando-nao-poderia-ser-diferente.html#links

sábado, 14 de agosto de 2010

Oh, it's something about...

Às vezes eu tenho umas paranoias. E pensar que com tantas e tantas e tantas pessoas no mundo a gente tem vontade de encontrar aquela que vai fazer a vida da gente ganhar um sentido único. Às vezes eu me sinto adolescente. Eu tenho sentimentos de uma. De verdade. E como é que eu posso me envergonhar? Sentimentos são sempre tão reais. Alguns podem dizer: mas há tantas ilusões. Mas as ilusões são reais. Eu, por exemplo, atesto, elas existem. E aí que essa semana eu fui ver o show mais importante da minha vida até hoje. Porque eu nem sou uma pessoa que já viu tantos shows assim na vida. E que eu me lembre, nenhum me causou uma emoção tão grandiosa. E eu também nunca vi de tão pertinho um ídolo tão importante, do meu mais profundo apreço. E olha que as pessoas me dizem que queriam gostar das coisas como eu gosto de algumas. Elas sentem uma pontinha de inveja da minha paixão. E eu super entendo, sabe?! Viver sem paixão é inconcebível, gente! Como é que dá pra enfrentar um mundo tão confuso, tão injusto muitas vezes, ou não, uma vida tão absurda, cheia de questionamentos filosóficos e existenciais, a rotina massacrante, sem paixão??? E eu me peguei pensando em tudo isso com tanta força nestes últimos dias de contagem regressiva. Como é, por exemplo, que dá pra entender o que um ídolo é capaz de provocar no coração de uma fã como eu? Essa relação é surreal. SURREAL! O cara nunca me viu na vida e nem vai ver. Eu sequer vou ter a chance de dizer “olá” pra ele um dia. E nem de mostrar isso aqui, que afinal de contas é sobre ele. Moramos em lados opostos, separados por um imenso oceano. Temos origens totalmente distintas. Ele nem sequer supõe a minha existência. E o meu coração tá cheinho de paixão por ele. Paixão mesmo. Porque paixão é febre. É essa coisa assim vulcânica. A emoção, a histeria, as lágrimas, o coração aos pulos ao vê-lo tão de perto, a zonzeira ao ouvir a voz dele ecoando naquela arena, a alegria e a satisfação só por vê-lo dançar tão graciosamente, as borboletas no estômago a cada caretinha, cada movimento que desenhava em seu rosto uma máscara nova, era tudo tão real. É real! Eu vivi cada uma destas sensações na pele, na minha pele, como posso duvidar? Eu senti! Eu! E um dia depois eu continuo embriagada, cantarolando as músicas, revivendo na memória aquele dia, aquela hora, foi uma hora, só uma. E eu já tenho saudade. Saudade. Queria vivê-la de novo se fosse possível. Porque se fosse possível, seria a única chance de estar pertinho dele assim. E puxa, ele nem sequer supõe minha existência. Por outro lado é quase como a sensação após a sublimação que algumas drogas causam. É um estado depressivo. Porque eu fico pensando... aliás, esse sempre foi o meu problema mesmo... pensar. Minha irmã costuma dizer que as pessoas como eu são as que mais sofrem na terra... porque elas pensam demais. E quem muito pensa, muito se questiona. E são cada vez mais perguntas e menos respostas. Mas voltando deste pequeno parêntese... por outro lado... quem é ele pra me causar tamanho furor? Um homem. Um ser humano com direito a tudo, tudinho, que faz parte da minha natureza também, a humana. E é interessante então constatar o poder dessa coisa chamada estrela, fama, show business ou sei lá o que. O fato é que me sinto "apaixonada" por alguém que nem supõe que eu exista e que ainda por cima só está num degrau inalcançável na minha própria ilusão. Será? Mas as ilusões são reais...



terça-feira, 10 de agosto de 2010

É sexta-feira 13!!!





P.S.: Quatro anos esperando por esta visita. Semana muuuuuuito especial. Coração (de fã) a mil!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

“Eu gosto de aprofundar vínculos”. Sou capaz de fazer poesia até no consultório da minha terapeuta. Graças! E hoje é um daqueles dias em que saí de lá me perguntando se isso realmente vai funcionar em algum momento. Porque o nó na garganta tá me fazendo sentir frio na barriga. Aquela sensação nítida de algo ruim a espreita. A gente cava a própria cova e depois fica se perguntando: pra que, meu Deus? Me sinto nua hoje. Tirei as vestes, me expus demais, mais uma vez. Como se fosse a última! Como se eu fosse madura o suficiente pra guardar a lição e assim não cometer os mesmos erros lá na frente. Essas seções de terapia têm servido pra deixar mais evidente pra mim mesma o tamanho do mosaico que mora aqui. Alma multifacetada. É como se eu estivesse o tempo todo correndo pra alcançar alguma coisa que de verdade eu nem vejo. E justamente agora me sinto naquela fase em que já perdi quase totalmente o fôlego, mas continuo, porque tenho a impressão de que se eu parar perco o bonde. A saudade, o vazio, essa confusão de teoremas emocionais, a solidão, a pressão de uma sociedade que me cobra sanidade. Pra que sanidade? Se eu não posso pôr pra fora o que tá me fazendo queimar por dentro, o que fazer então? Eu não dou conta disso tudo só em mim. Eu sou humana, porra! HUMANA! Sou tão humana que admito que parte dessa coisa aqui na minha barriga é conseqüência dos meus erros, mas não só. A gente não comete nada sozinhos, nem pecado. Mesmo assim eu me sinto uma criança mimada quando não dou conta de fazer minha auto análise e preciso tanto me agarrar ao olhar do outro. Porque eu preciso tanto da opinião alheia? Eu estou aqui pensando: talvez essa minha auto flagelação seja justamente isso, tomar a acusação leviana daqueles que me julgam pra mim mesma e fazer dela o meu norte. Porque às vezes me deparo com meu próprio olhar de generosidade pra comigo mesma. E me sinto bem, eu acho mesmo que tem muita coisa bonita aqui. Que pena que isso não dure tanto quanto uma vida. Existe uma revolta, existe alguma coisa mal resolvida, e por mais que eu tente dar nomes, eu erro sempre. E acabo me machucando de novo, envolvo outros sentimentos, que nem me pertencem. Atiro pra todos os lados pra ver se acerto o alvo. Mas que alvo? Meus planos para um futuro bem próximo se resumem a coisas que indicam meus anseios mais imediatos: programar as férias num SPA, longe de tudo que me é pessoal, inserir na minha rotina atividades que aprofundem meu contato com o universo, com a natureza, buscar práticas que me ajudem a ter algum equilíbrio, que é tudo que me falta. Talvez eu goste mais de mim equilibrada. Não sei, nunca fui, não me conheço assim. Mas o fato é que eu estou conscientemente correndo atrás de equilíbrio, sobriedade e organização. Eu que sou rebelde demais pra ser a boa moça, acho que a experiência pode me trazer algum ganho, nem que seja descobrir que eu nunca vou ser nada disso. E não há unissonância em nada, nem mesmo neste texto, que espelha toda esse caos que é minha alma hoje.