sábado, 14 de agosto de 2010

Oh, it's something about...

Às vezes eu tenho umas paranoias. E pensar que com tantas e tantas e tantas pessoas no mundo a gente tem vontade de encontrar aquela que vai fazer a vida da gente ganhar um sentido único. Às vezes eu me sinto adolescente. Eu tenho sentimentos de uma. De verdade. E como é que eu posso me envergonhar? Sentimentos são sempre tão reais. Alguns podem dizer: mas há tantas ilusões. Mas as ilusões são reais. Eu, por exemplo, atesto, elas existem. E aí que essa semana eu fui ver o show mais importante da minha vida até hoje. Porque eu nem sou uma pessoa que já viu tantos shows assim na vida. E que eu me lembre, nenhum me causou uma emoção tão grandiosa. E eu também nunca vi de tão pertinho um ídolo tão importante, do meu mais profundo apreço. E olha que as pessoas me dizem que queriam gostar das coisas como eu gosto de algumas. Elas sentem uma pontinha de inveja da minha paixão. E eu super entendo, sabe?! Viver sem paixão é inconcebível, gente! Como é que dá pra enfrentar um mundo tão confuso, tão injusto muitas vezes, ou não, uma vida tão absurda, cheia de questionamentos filosóficos e existenciais, a rotina massacrante, sem paixão??? E eu me peguei pensando em tudo isso com tanta força nestes últimos dias de contagem regressiva. Como é, por exemplo, que dá pra entender o que um ídolo é capaz de provocar no coração de uma fã como eu? Essa relação é surreal. SURREAL! O cara nunca me viu na vida e nem vai ver. Eu sequer vou ter a chance de dizer “olá” pra ele um dia. E nem de mostrar isso aqui, que afinal de contas é sobre ele. Moramos em lados opostos, separados por um imenso oceano. Temos origens totalmente distintas. Ele nem sequer supõe a minha existência. E o meu coração tá cheinho de paixão por ele. Paixão mesmo. Porque paixão é febre. É essa coisa assim vulcânica. A emoção, a histeria, as lágrimas, o coração aos pulos ao vê-lo tão de perto, a zonzeira ao ouvir a voz dele ecoando naquela arena, a alegria e a satisfação só por vê-lo dançar tão graciosamente, as borboletas no estômago a cada caretinha, cada movimento que desenhava em seu rosto uma máscara nova, era tudo tão real. É real! Eu vivi cada uma destas sensações na pele, na minha pele, como posso duvidar? Eu senti! Eu! E um dia depois eu continuo embriagada, cantarolando as músicas, revivendo na memória aquele dia, aquela hora, foi uma hora, só uma. E eu já tenho saudade. Saudade. Queria vivê-la de novo se fosse possível. Porque se fosse possível, seria a única chance de estar pertinho dele assim. E puxa, ele nem sequer supõe minha existência. Por outro lado é quase como a sensação após a sublimação que algumas drogas causam. É um estado depressivo. Porque eu fico pensando... aliás, esse sempre foi o meu problema mesmo... pensar. Minha irmã costuma dizer que as pessoas como eu são as que mais sofrem na terra... porque elas pensam demais. E quem muito pensa, muito se questiona. E são cada vez mais perguntas e menos respostas. Mas voltando deste pequeno parêntese... por outro lado... quem é ele pra me causar tamanho furor? Um homem. Um ser humano com direito a tudo, tudinho, que faz parte da minha natureza também, a humana. E é interessante então constatar o poder dessa coisa chamada estrela, fama, show business ou sei lá o que. O fato é que me sinto "apaixonada" por alguém que nem supõe que eu exista e que ainda por cima só está num degrau inalcançável na minha própria ilusão. Será? Mas as ilusões são reais...



3 comentários:

Camila Caringe disse...

...são reais as ilusões, mas há que saber o que é realidade ilusória e o que é realidade.

É uma pena que não tenhamos as antigas ágoras. Bem que poderiam ser usadas para encontros assim, não é mesmo?

Michelle Ribeiro disse...

Tão bom imaginar o que se passa dentro desse coraçãozinho ai, sabia? E aí eu me lembrei (pq realmente tinha esquecido) que eu já senti isso. Era bem mais nova e fã do Jota Quest. Fui em quase todo os shows de um cd deles e no último, depois de 9 horas na fila e de gritar feito uma doida o Paulinho (baterista) entregou a baqueta dele na minha mão. Ela estava esfolada, suada e eu tenho guardada até hoje, mesmo que não seja mais fã deles, mesmo que a baqueta não signifique mais o que significou aquele dia...Obrigada por me fazer lembrar!

Joey Marrie disse...

Ah, as ilusões são reais sim!!
Lembro do meu "show mais importante da vida". Eu também não sou uma pessoa de muitos shows.
Eu já sentia o friozinho na barriga a cada dia que o show se aproximava. E quando entrei no local do show? Xinguei a banda que abriu que não foi fácil. O coração tava que não se aguentava.
Mas foi só eu ouvir "Sem horas e sem dores, respeitável público pagão..." e Fernando Anitelli entrar no palco, pra eu ser tomada pro uma emoção tão grande. Que acabei esquecendo o resto, era só viver o momento, era só viver a poesia e a paixão do momento...

;D