sábado, 29 de janeiro de 2011

Os olhos não a encaravam, sequer se atreviam, nem ao menos por um segundo. Se porventura cruzassem o olhar dela, logo se desviavam. Era um tanto quanto desafiador. Pois ela fazia questão! Mantinha os olhos fixos nos dele... quase fazendo daquilo um jogo. Ela gostava do jeito como ele corava quando notava sua teimosia. Em contrapartida, o sorriso era genuíno como água da fonte. O último sorriso assim de que se recordava era o de uma criança de oito meses de vida. Ela notou que ele sorria assim... inteiro... no primeiro instante em que o viu, quando um sorriso daqueles a recebeu com um abraço. Não haveria a menor possibilidade de sorrir com os lábios apenas. Era tão verdadeiro, deleitoso e concreto, que todas as partes do corpo dele participavam daquele momento. E foram muitos, o bastante pra ela comprovar que não fora um episódio isolado ou uma impressão sem importância. Não haveria outra forma de descrever o tal ato. “Ele sorri” cabia ali como jamais coube para descrever qualquer outro esboçar que tivesse a pretensão de o ser. E era tão bonito! Ela se perguntava se ele saberia... talvez nunca tivesse sorrido assim para o espelho. Ou talvez ela tivesse a sorte de ser a primeira a notar. Ela guardaria a confissão para um momento oportuno. Quem sabe a cena final do filme que ficou por terminar quando ela partiu sem olhar pra trás... como se previsse que ali estaria ele... o sorriso que mudaria o percurso daquele “The End”...

sábado, 8 de janeiro de 2011

"O amor é um poema...

... essencialmente pessoal."

Honoré de Balzac





Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manoel Bandeira
http://amandaproetti.blogspot.com/2009/01/arte-de-amar-se-queres-sentir.html#links







Porque Eu Sei Que É Amor
Titãs
Composição: Sérgio Britto e Paulo Miklos

domingo, 2 de janeiro de 2011

8 anos, 7 meses e 16 dias... e já era amor...

Abrindo um novo e misterioso horizonte de magia, a primeira luz, acompanhada do choro estridente - sinal do medo, já que até então, tudo era segurança e proteção -, marca o início de uma trajetória construída lentamente. Tijolo a tijolo, obstáculo a vitória, queda a conquista... Inicialmente... e sempre... com o apoio do amor ao redor. A partir de determinado momento, porém, com muito de um esforço particular.

Sorrisos foram causados em virtude do amor cultivado... bem antes... lá atrás... quando projetados foram os sonhos que começam, agora, a ser concretizados. O primeiro banho, os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro sorriso... E a vida se encarrega de plantar novos sonhos. Estes, intimamente particulares, e que com toda certeza, novos sorrisos despertarão.

No caminho que liga o sonho a sua materialização, novos rostos e olhares vão sendo descobertos, e o destino se encarrega de acrescentar a estes um sorriso em benefício do acaso, ou não...

Passaram-se 28 anos de sorrisos despertados... em ti, e por ti. 28 anos desde o primeiro sorriso em consequência de sua chegada. E hoje, um sorriso mais recente se abre só para te lembrar que, após 28 anos tão complexamente vividos - creio e espero -, você ainda desperta antigos e novos sorrisos, dando aos rostos e olhares vida e cor, e que, entre todos os que já vivificaram e coloriram o meu, um, em especial, foi despertado pela mesma chegada - esta um pouco mais tardia, concordo, tão pouco menos pontual -, que despertou o primeiro sorriso.

Neste dia, além de tudo que um sorriso pode desejar ao seu motivo, eu desejo que você desperte ainda muitos antigos e novos sorrisos. Mas cá entre nós, e com uma pontinha de egoísmo de minha parte, como não, que desperte-os mais ainda no meu rosto. E diferentemente do primeiro, causado pela chegada, estes, em razão da estadia...



Obs.: Texto datado exatamente à referência do título e reproduzido com alguns ajustes, é claro! Me admiraria ler algo de tão longínquo/breve tempo passado que não me inspirasse qualquer alteração ou melhoria. Achados dessas ocasiões de faxinas de armários, computadores e backups, próprias do recesso, em fim de ano, do trabalho, dos estudos, dos deveres... do mundo "real"...