sábado, 29 de janeiro de 2011

Os olhos não a encaravam, sequer se atreviam, nem ao menos por um segundo. Se porventura cruzassem o olhar dela, logo se desviavam. Era um tanto quanto desafiador. Pois ela fazia questão! Mantinha os olhos fixos nos dele... quase fazendo daquilo um jogo. Ela gostava do jeito como ele corava quando notava sua teimosia. Em contrapartida, o sorriso era genuíno como água da fonte. O último sorriso assim de que se recordava era o de uma criança de oito meses de vida. Ela notou que ele sorria assim... inteiro... no primeiro instante em que o viu, quando um sorriso daqueles a recebeu com um abraço. Não haveria a menor possibilidade de sorrir com os lábios apenas. Era tão verdadeiro, deleitoso e concreto, que todas as partes do corpo dele participavam daquele momento. E foram muitos, o bastante pra ela comprovar que não fora um episódio isolado ou uma impressão sem importância. Não haveria outra forma de descrever o tal ato. “Ele sorri” cabia ali como jamais coube para descrever qualquer outro esboçar que tivesse a pretensão de o ser. E era tão bonito! Ela se perguntava se ele saberia... talvez nunca tivesse sorrido assim para o espelho. Ou talvez ela tivesse a sorte de ser a primeira a notar. Ela guardaria a confissão para um momento oportuno. Quem sabe a cena final do filme que ficou por terminar quando ela partiu sem olhar pra trás... como se previsse que ali estaria ele... o sorriso que mudaria o percurso daquele “The End”...

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