sexta-feira, 5 de agosto de 2011

No dia em que você nasceu...

... eu estava lá. Pena eu não lembrar, mas estava. Quando a mamãe te trouxe para casa, eu estava lá. Não me lembro bem, mas eu estava. Disseram que febrões e uma inquietação infantil acometeram-me. Disseram que era ciúme. Afinal. Durante três anos e meio eu tive a exclusividade do amor mais importante do mundo só pra mim. Mas, cá entre nós. Sabe o que eu penso sobre isso?! A inquietação, os febrões e tudo o mais que eu, na condição de uma garotinha de três anos, possa ter sentido, pode muito bem ter sido uma espécie de torpor agudo de felicidade. Talvez eu não tivesse ainda a capacidade de pensar sobre, mas no fundo eu posso ter suposto que chegara ao mundo a minha melhor amiga. A pessoa com quem eu dividiria os momentos mais importantes da minha vida. E no nosso caso, para minha bênção, foram todos, porque hoje, exatamente, faz 27 anos que eu te tenho aqui do meu lado, do qual você nunca saiu. Quando a mamãe partiu, eu pensei que nunca mais seria capaz de amar alguém assim. Eu já te amava, é claro! Mas foi como descobrir que um sentimento pode se transformar. Inevitavelmente, você passou a um posto mais importante, como quem recebe uma promoção. Você foi promovida a parceira e amor único e exclusivo, aqui, neste plano. E eu só peço a Deus que, por amor à minha existência, te dê ainda muitos anos de vida, porque ele deve saber que o seu amor foi o que me deu fôlego pra respirar quando eu quase ousei parar de fazer isso. Eu te amo. Por missão e condição. Deve ser coisa daquela mulher maravilhosa que tivemos o prazer de chamar de mãe um dia. Se alguém nos ensinou a amar assim, só pode ter sido ela. Deus te abençoe, minha irmã!